Parece impossível (mas não há impossíveis e eu tenho que ter muito cuidado com aquilo que digo e penso) conseguir desacelerar. A minha vida entrou num ritmo que já me permitia não pensar. Com rotinas bem estabelecidas - e não posso dizer que seja culpa do emprego ou do quer que seja. As rotinas foram estabelecidas por mim próprio - e com formas de ter as coisas feitas, habituei-me a andar a mil à hora. Fosse no emprego, nas horas vagas do emprego, ou fora do emprego. Lembrava-me constantemente daquela história da jarra de vidro, onde se colocavam as pedras de vários tamanhos e da areia. Muitas vezes dava por mim a sentir que não estava a dar importância suficiente àquilo que deveria dar e a colocar em causa o tempo que perdia com várias coisas - o emprego sempre era algo que me fazia sentir como um grande desperdício de tempo e acabou por ser uma das razões da minha saída. O meu principal problema sempre foi conseguir largar as coisas. Quer dizer, escolher as coisas que queria largar e depois efectivamente largá-las, mas também ao longo dos anos é uma evolução, um caminho que tenho percorrido.
Mas divago.
O que quero dizer simplesmente é que devido a não conseguir a largar as coisas e devido a ter coisas que não podia (achava eu) largar, habituei-me a andar a uma velocidade estonteante. A vida passava num instante e eu mal a sentia. O tempo era passado a pensar naquilo que tinha para fazer, a planear a próxima coisa que tinha que fazer em vez de viver aquilo que estava a viver no momento. Apesar de já não estar inserido nessa realidade, o meu corpo continua lá, como um vício.
Basicamente estou a ressacar, o meu corpo está a expulsar os maus vícios do meu corpo e sinto que ainda nem sequer comecei esse processo. Bem, talvez o aperceber-me dele seja mesmo o início. Curioso manifestar isso a um domingo, que sempre foi o dia em que guardei para fazer tudo aquilo que nunca conseguia fazer durante a semana. Até reflectir.
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