O meu pai fez hoje anos. É interessante ver como a idade nos muda mesmo quando nós juramos a pé juntos que não iremos mudar, com a arrogância de quem julga conhecer tudo e todos, principalmente o futuro, apenas para mais tarde saber que não conhece nada. Eu mudei, e o meu pai mudou mesmo que tenhamos mantido ou refinado aquelas características que tanto nos podem irritar. Simplesmente deixa de interessar. Dou comigo a ter pena de não passar mais tempo com ele quando no passado tudo o que queria era afastar-me. Lá está, quando queremos muito uma coisa e não a temos é porque andamos ao contrário do fluir do rio da vida. E é por isso que dou muitas graças ao que tenho hoje, à relação que temos hoje em dia. Sinto orgulho do teu percurso, pai e embora saiba que há muitos erros que não admites perante os outros, não os perdoas perante ti próprio. Eu sei, eu sou teu filho. E embora seja ponto assente que saio à mãe, há muita coisa que tenho em comum contigo, demasiadas para que as possa admitir em voz alta. Sim, sou teu filho, pai. Com todo o potencial para o desastre e com todo o potencial para o bem. Sou humano como tu e embora este ponto sempre me tenha custado a admitir, é um que tenho que ficar em paz com. Percebo agora que o custar-me a admitir que era humano, cheio de falhas e defeitos, foi principalmente por nunca aceitar a tua humanidade e as tuas falhas e defeitos. Transportei a intolerância que em tempos demonstraste para comigo para dentro de mim. Mas isso é passado. Já caminhámos muito, mais longe do que gostaríamos e mais perto do que calculamos. O presente é tudo o que temos e dou graças a ele por estares presente. Obrigado e parabéns, pai.
Sem comentários:
Enviar um comentário