sábado, 22 de março de 2014

20-03-2014

Aquilo de ontem afectou-me mesmo a sério. Quando fiz a meditação com o Arcanjo Miguel, a Sofia passou-me a mensagem de que poderiam haver alguns pequenos testes, para testar as suas dádivas, coragem, fé e sentido de justiça. E realmente tive algumas situações que me fizeram sentir levemente cada uma destas dádivas, mas esta situação foi aquela que mais puxou por mim. No final do dia fui lá ver se via alguma coisa, algum sinal do cão, mas não encontrei nada. Definitivamente não será um local que queira visitar novamente. Mais do que um aviso, acho que isto foi uma prova de que as portas da minha percepção não estão tão encerradas como isso. Ou se calhar estão a abrir e que situações destas, que antes as usava como desculpa para me sentir especial, para me sentir como vítima, para o quer que seja, agora sejam ultrapassadas e desvalorizadas. Claro que o raio do cão não tivesse metido ao barulho, seria mais fácil para mim desvalorizar, mas se fosse uma pessoa, pior seria, isto partindo do princípio de que estava lá mesmo uma pessoa e que eu bati realmente num cão. Parece-me que coisas destas vão ser comuns na minha vida e que eu tenho que me habituar a elas. Ou não, ou simplesmente não lhes dar importância, ver sempre a explicação céptica, sem com isso significar fechar as portas da percepção que ando há tanto tempo a tentar abrir.

Mais uma vez, e sempre, é uma questão de equilíbrio. Este sábado vou ter a segunda meditação, com o arcanjo Jophiel, aquele que vai abrir à comunicação com o meu Eu Superior, aquilo que ando à procura desde sempre mas que acabo sempre por bloquear, talvez por querer demasiado e não deixar fluir, por interferência do meu mental.

quinta-feira, 20 de março de 2014

19-03-2014

Fui hoje ao cinema com o irmão da Catarina... ele ganhou bilhetes para uma ante-estreia e convidou-me. Nem hesitei, mesmo sabendo que o filme tinha um grande potencial para ser uma banhada. Depois de o deixar em casa, vim por um caminho, por um desvio, que é mais perto mas que não é iluminado. E fez-me dar importância a algo que aconteceu no Domingo quando vim do concerto. Tentei esquecer ou pelo menos não dar importância para não voltar a caminhos do passado em que merdas sobrenaturais aconteciam demasiadas vezes e nas quais acho que me refugiei ou fui atraído. De qualquer forma... o que aconteceu no Domingo foi que eu vinha pelo desvio e quando ia a passar numa zona sem iluminação, vi na faixa contrária, um homem sentado, à chinês, no meio da escuridão. O meu coração disparou e fiquei sem reacção. Passei por um carro e ainda tentei esboçar o gesto para avisar. Parar o carro, fazer sinal de luzes.

Nada.

Não consegui fazer nada, apenas continuar, como se fosse um robô.

Há pouco fiz o mesmo desvio. Abrandei a velocidade para verificar se não apanhava nenhum susto. A minha atenção foi desviada para a esquerda onde vi um homem a andar a pé na berma da estrada. Conforme vejo o homem à esquerda, surge um cão do nada à direita. Nem tive tempo de fazer nada, a não ser tirar o pé do acelerador. Apanhei o cão com o pára-choques mas não lhe passei por cima. Quer ter parado, mas o corpo não respondeu. Gritei dentro de mim para parar, mas o corpo não respondeu. Quando olho para trás, não vejo nada. Não vejo cão, não vejo homem, apenas escuridão. E a escuridão olhou-me de volta. E eu não parei. Não acelerei, não tive reacção. Apenas muito mais à frente é que parei o carro e fui ver o pára-choques. Estava desencaixado numa parte mas não estava partido. Tinha uma espécie de baba, gosma. Presumo que fosse do cão... mas a esta altura do campeonato, até duvido daquilo que vi. E a imagem do cão não me sai da cabeça. Também pelo o que aconteceu, mas principalmente por me ser familiar.

18-03-2014

Hoje tive uma conversa com o Telmo muito interessante e de certa forma irónica. O Telmo foi um amigo com o qual eu decidi, quinze anos atrás, ir aprender música. Tínhamos grandes planos, de fazer uma banda, de vingar no mundo da música, tal como os nossos ídolos. Assumi que tínhamos dois os mesmos planos e fiquei desiludido quando ele não seguiu à risca esse plano. Mais tarde acabámos por nos desentender quando eu me fartei de combinar coisas com ele e ele faltar ao combinado. Hoje, à distância, percebo de que ele apenas tentou agradar-me e não teve a coragem de dizer que não estava interessado ou que não queria por receio de me desiludir. É estranho, mas sem ser pai tive uma enorme lição daquilo que poderia ou poderá acontecer com um filho, caso imponha sobre ele os meus sonhos e os meus anseios. Ele até poderá concordar mas a longo prazo, não tendo lá o coração, a paixão, simplesmente vai sair na primeira oportunidade que tiver. Eu queria muito fazer músicas novas, ter lançamentos, ensaiar, gravar e ele parecia ter sempre outras prioridades e isso sempre me deixou perplexo. Hoje, felizmente, vemos os dois a vida de outra forma e nos últimos anos houve uma aproximação saudável. E partilha também. Se ele fosse meu filho, ficaria orgulhoso. E em certa medida, também estou orgulho de mim próprio, já que não o vejo da forma superior que o pai vê o filho, alguém a quem se pode potencialmente moldar à nossa imagem, mas como um igual. Alguém com visões parecidas e diferentes ao mesmo tempo da vida e do que nos rodeia, respeitando as diferenças e celebrando essa proximidade.

Eventualmente acabei de deixar a música para trás enquanto ele foi evoluindo bastante a um ponto que eu nunca cheguei, por preguiça ou por falta de motivação. A paixão dele pela música foi algo que aprendi a respeitar e admirar. E é engraçado e meio irónico, os meus interesses agora estarem noutro campo enquanto ele tem aquele fogo que eu tinha tantos anos atrás para fazer algo que o realize artisticamente. Recentemente, ele tomou uma decisão que eu já pensei em tomar. Despediu-se. Sentiu-se a ser consumido pelo seu emprego e demitiu-se. Algo que tenho pensado bastante ultimamente. Disse-me hoje que vai decidir entrar para a faculdade, para uma área que sempre foi a paixão dele. E eu fiquei com um orgulho enorme dele, uma sensação mista do antigamente, em que me sentia como pai dele com a de agora, em que o vejo e sinto como igual. E de certa forma, um certo sorriso interior, por saber que apesar de termos tido a nossa amizade afectada anos atrás, em que eu lhe voltei as costas por mágoa, hoje em dia, ele compreende exactamente o que sinto, sem que qualquer uma das partes faça o esforço para isso. Antes o que era forçado, de parte a parte, agora é natural. E é tão bom estes pequenos reencontros que a vida nos proporciona. Quando largamos do controle, acabamos por ir parar ao sítio onde sempre quisemos estar. Não é no tempo que desejamos, mas naquele em que precisamos.

segunda-feira, 17 de março de 2014

17-03-2014

O concerto foi fantástico... e mais uma vez, após me ter dado aquela vontade de não ir, volto de lá contente por ter ido, mas mais que isso, grato por ter tido a oportunidade de ter ido. Ter a oportunidade de dar largas a uma das minhas paixões, a escrita, que foi a minha bengala depois da minha queda, e ainda por cima poder fazê-lo sobre outra das minhas paixões, que é a música, é bom demais para ser verdade. Mas é. É verdade. Não é sonho, não é ilusão. E de alguma forma, sinto que é o início de algo. De algo que ainda não sei, mas que sentindo isto, não perdendo contacto com este sentimento maravilhoso, que só mais coisas boas podem vir a caminho. 

A felicidade por este momento. Este sentimento é a minha bússola, a minha orientação. Se eu não perder o norte, de certeza de que cada vez vou estar mais perto, cada vez mais perto do meu objectivo. Ser feliz, sentir-me realizado com o que sou, com o que faço. Posso dizer sem receio que actualmente estou mais perto do que alguma vez que senti na minha vida. Não que isso tenha peso realmente. Não adianta pensar a longo prazo, não adianta pensar que se está muito longe ou muito perto. O que interessa é o agora. O agora, o eterno agora. O momento, aqueles momentos que parecem durar para sempre são feitos no agora. A felicidade não é um estado inatingível. Ela é real, ela é palpável, ela está aqui. Nas pessoas que amamos, nas pessoas que nos amam, até mesmo nas pessoas que não amamos e nas pessoas que não nos amam. Tudo o que constitui o agora é o mais importante. Não aquilo que julgamos que vai acontecer, de bom ou de mau. Nem sequer o que ficou para trás, de arrependimento ou tristeza. Não devemos desperdiçar um dia que seja, não devemos tentar recriar no agora aquilo que não é do agora. A magia do antes não se vai repetir nunca e a magia do agora... só há uma hipótese para que ela se manifeste agora, precisamos de a receber de braços abertos. E os braços devem estar abertos também para os deixar ir porque nada dura para sempre e se nos recusarmos a aceitar isso, então estamos a falhar o agora. E não há segundas hipóteses para o agora. 

Não há segundas hipóteses para hoje por isso não vou deixar escapar mais nenhum dia. Eles serão meus, bons ou maus, serão meus, sem nada que não lhes pertença. Viver apenas para hoje.

16-03-2014

Uns dias atrás - quase um mês, não tenho a certeza - à conversa com a Sofia, ela perguntou-me o que é que eu queria e perguntou-me por uma data em concreto para que todas aquelas coisas acontecessem. Eu disse 15 de Março. Ela perguntou-me que deveria ter especificado o ano, que quando mandamos coisas para o Universo, isto é, pedidos, devemos ser específicos. Corrigi 15 de Março 2014, mas ela na brincadeira disse que já era tarde demais, que o pedido já tinha sido enviado. Durante uns tempos fiquei como que com uma espécie de ansiedade pelo dia 15. Mais curiosidade do que ansiedade. Coincidiu com toda a questão da Catarina e com o sentir estar preso a um sítio onde não queria estar, ter que conviver com uma pessoa com a qual não quero conviver. Esse sentimento desapareceu ou foi desaparecendo. Quer dizer, continuo a querer sair do sítio onde estou, porque agora, não estando adormecido, sei que ele não é para mim, mas agora... agora não há pressão, a pressão que coloquei em cima de mim. Agora posso ver e realmente sentir aquilo que tenho disponível, todas as opções.

Não terá sido por acaso que não escolhi o ano e há duas fortes probabilidades. Primeiro - por receio da mudança. Um registo meu é desejar a mudança em momentos de aflição mas mesmo nesses momentos, desejar que ela seja num futuro indeterminado, em vez de um próximo. Segundo - Porque conhecendo-me como me conheço, saberia que ao colocar uma data, estaria a condicionar o que me vai aparecer - coisa que não especifiquei concretamente. Eu sei o que quero, mas os detalhes, deixo na mão do Universo, no tempo que ele entender. Na altura estava preso, ou sentia-me preso, e tinha urgência, mas agora, passando essa ilusão de urgência, sei que virá a mim aquilo que eu preciso no momento, em função daquilo que desejo para mim e o que desejo para mim é cumprir o meu propósito, as minhas paixões, aquilo que me preenche.

Como parte disso, hoje vou fazer mais uma reportagem. De início, apetecia-me ficar em casa, como parte de um Domingo de preguiça mas agora... acabando de escrever isto, não há mais nada em que pense.

sábado, 15 de março de 2014

15-03-2014

Hoje tive trabalho na clínica. Uma sessão de Reiki. Tenho tido tão pouco trabalho nesta área que senti-me nervoso antes de ir para lá. Até levei duas camisas da farda e deixei as calças em casa. Uma parte de mim entrou em pânico e revoltou-se mas foi bom sentir que essa revolta durou apenas breves momentos. Imediatamente tentei procurar uma solução e acabei por fazer com as calças que levei. Mesmo que queira fazer as terapias sempre vestido de branco, o preto também é protecção portanto não pensei que fosse assim tão mau quanto isso. E não foi. Correu muito bem. Foi a primeira vez da paciente e acabou por sentir um grande alívio, uma grande sensação de leveza. De tal forma que marcou para daqui a duas semanas. O sentimento de gratidão é tão grande por ser capaz de trazer este bem estar à vida das pessoas que acho que vim para casa sem tocar com os pés no chão. Não fiz mais nada o dia todo e soube-me bem, o descanso. Amanhã tenho mais uma reportagem e neste momento não me apetece ir fazê-la, mas sei que quando chegar a altura, vou estar feliz por a poder fazer. Ainda há aquela coisa de ir sozinho a estes eventos, mas isso é algo que cada vez tem menos impacto nas minhas decisões. Por muito que queira partilhar estes momentos, principalmente com uma companhia feminina, sei que neste momento o que preciso é da minha própria companhia, seja em que condições for.

14-03-2014

Estes últimos dias no trabalho tem sido bastante ocupados. De tal forma que nem consigo pensar que estou farto de lá estar. Acaba por ser a melhor solução para esse problema. Claro que não muda nada, mas pelo menos a cabeça descansa um pouco. Tenho que tirar um tempo para expandir as terapias. Novas ideias, novas pessoas, novos espaços. Se tudo parte daquilo que queremos e desejamos, então eu desejo isso, sem qualquer equívoco. Também desejo fazer uso da comunicação que a vida tanto colocou desafios à minha frente para a desenvolver. O diário ajudou-me a lidar com coisas enterradas dentro de mim e parece que foi o ponto de partida também para a minha cura. Comecei a ter interesse em escrever histórias, contos que me surgiam. Neste momento deixei para trás por falta de tempo, mas através do facebook, encontro uma recepção fantástica para aquilo que tenho para dizer. De alguma forma consigo cativar as pessoas com aquilo que sinto, como o exponho. As pessoas conseguem identificar-se com isso, portanto também é uma área que quero explorar. Claro que a comunicação também não se resume exclusivamente à escrita, até porque cada vez estou mais solto a falar - a experiência que tive na rádio também fundamental nisso, assim como o próprio trabalho, ter de falar ao telefone e enfrentar todas as fobias que tinha. Não terá sido por acaso que os desafios me apareceram à frente e já que eles foram superados, espero fazer bom uso dos seus resultados. Estou com fé nisso.