quinta-feira, 20 de março de 2014

19-03-2014

Fui hoje ao cinema com o irmão da Catarina... ele ganhou bilhetes para uma ante-estreia e convidou-me. Nem hesitei, mesmo sabendo que o filme tinha um grande potencial para ser uma banhada. Depois de o deixar em casa, vim por um caminho, por um desvio, que é mais perto mas que não é iluminado. E fez-me dar importância a algo que aconteceu no Domingo quando vim do concerto. Tentei esquecer ou pelo menos não dar importância para não voltar a caminhos do passado em que merdas sobrenaturais aconteciam demasiadas vezes e nas quais acho que me refugiei ou fui atraído. De qualquer forma... o que aconteceu no Domingo foi que eu vinha pelo desvio e quando ia a passar numa zona sem iluminação, vi na faixa contrária, um homem sentado, à chinês, no meio da escuridão. O meu coração disparou e fiquei sem reacção. Passei por um carro e ainda tentei esboçar o gesto para avisar. Parar o carro, fazer sinal de luzes.

Nada.

Não consegui fazer nada, apenas continuar, como se fosse um robô.

Há pouco fiz o mesmo desvio. Abrandei a velocidade para verificar se não apanhava nenhum susto. A minha atenção foi desviada para a esquerda onde vi um homem a andar a pé na berma da estrada. Conforme vejo o homem à esquerda, surge um cão do nada à direita. Nem tive tempo de fazer nada, a não ser tirar o pé do acelerador. Apanhei o cão com o pára-choques mas não lhe passei por cima. Quer ter parado, mas o corpo não respondeu. Gritei dentro de mim para parar, mas o corpo não respondeu. Quando olho para trás, não vejo nada. Não vejo cão, não vejo homem, apenas escuridão. E a escuridão olhou-me de volta. E eu não parei. Não acelerei, não tive reacção. Apenas muito mais à frente é que parei o carro e fui ver o pára-choques. Estava desencaixado numa parte mas não estava partido. Tinha uma espécie de baba, gosma. Presumo que fosse do cão... mas a esta altura do campeonato, até duvido daquilo que vi. E a imagem do cão não me sai da cabeça. Também pelo o que aconteceu, mas principalmente por me ser familiar.

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