quarta-feira, 26 de março de 2014

26-03-2014

Odeio ter gripe. Quer dizer, raramente tenho gripe, o pacote inteiro, ficar de cama e a sentir-me como uma lesma a morrer lentamente, mas a parte inicial da dor de garganta é algo que me custa horrores e hoje foi o dia inteiro assim. A dor constante, de custar a engolir e custar a falar. Já tomei um remédio natural que é amargo como tudo mas a coisa pelo menos parece que acalmou. Vamos lá a ver se os intestinos são da mesma opinião. Mas a dor de garganta até passou despercebida com a minha cabeça concentrada noutros assuntos. A Marta foi ter com a minha alma que me deixou intrigado. Ela estava numa sala branca onde estava um espelho tipo barroco mas prateado. Ela aproximou-se dele e no espelho estava refletida a minha imagem. Levantei os braços, abriu as palmas das mãos e encostou-as ao espelho. Eu, do outro lado do espelho fiz o mesmo. Quando tocámos com as palmas das mãos uma na outra, o espelho deixou de ser rijo e os dois mistura. Eu misturei-me com a alma dela e ela com a minha. 

Não só a imagem é poderosa como é uma que eu já tive antes. Sempre pensei que fosse baseada naquela do filme de John Carpenter, O Príncipe das Trevas, no final, mas havia sempre uma mulher, uma mulher do outro lado do espelho. A última vez que tive esta visão foi na ressaca da separação com a Susana. Ter outra pessoa a ter esta visão, tão minha... é algo que me deixou estupefacto e cada vez mais curioso acerca da Marta. A nossa ligação é forte, não haja dúvida, mas aquilo que nos separa... é algo... enorme. Talvez essa distância seja encurtada pelo tempo. A verdade é que, mais uma vez, a palavra essência enquadra-se. Nós dois, juntos, sermos a essência daquilo que sempre procurámos, em nós próprios, nas outras pessoas. Aqui apenas encaixa, como uma peça num puzzle.

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