Quatro horas de sono. Qualquer dia funde-se qualquer coisa aqui no meu cérebro. O engraçado é que durante o dia não tive qualquer tipo de cansaço ou sonolência. Claro que agora já é outra questão... Este concerto fez-me pensar numa coisa engraçada, à qual não tinha dado nenhum valor mas que acabou por voltar hoje, de forma engraçada. Ou pelo menos eu vejo-a assim. No sábado, vieram ter comigo no Facebook. Uma pessoa que não faz parte do meu lote de amigos perguntou-me... "Não tens mais nada para fazer?" Não sabendo quem era, respondi apenas "?" dando-me tempo para verificar a identidade do homem. Cheguei à conclusão que já tinha estado no perfil dele, quando soube que estava a namorar com uma amiga minha. Quando reparei, já tinha outra mensagem que dizia "Queres que te faça um desenho, é?". Não sabendo o que se tratava mas também não querendo saber, apenas respondi, "Não sei quem és, não sei o que queres, mas também não vou perder mais tempo contigo". E bloquei-o.
Agora, a parte interessante. Num outro tempo, teria ficado a falar com ele e tentar perceber o lado dele, o que é que queria, etc. Ficaria chateado porque é o que acontece quando se tenta fazer com quem calhau da calçada fale francês. Não vale a pena e o calhau continua a ser um calhau. Ele não tem a culpa, é um calhau, temos que aceitar a sua condição. Ao bloqueá-lo também fiz algo que não costumo fazer, fechar uma porta ao que não interessa. Nunca quis fechar portas, sempre quis ser amigo de todos. Basicamente sempre quis ser aceite por todos, então fechar portas sempre foi algo que me fez muita confusão. Neste momento, o que me faz confusão é perder energia de forma desnecessária. Tudo o que não me sirva também não vale a pena estar presente na minha vida. E agi em conformidade. Sem olhar para trás, sem raiva, sem emoção. Apenas como quem desliga a televisão quando não estava a dar nada de jeito. Um reflexo. Automático que só me faz ter orgulho de mim próprio, afinal, este automatismo é bom. O automatismo para o meu bem estar.
A parte engraçada. Não falei com a minha amiga porque além de não querer perder o meu tempo, também não o queria fazer perder o dela e porque, sinceramente, não achei que o assunto merecesse que se perdesse mais energia do que aquela que já foi perdida. Ela acabou por me ligar, dizendo que sabia da situação e que já não era a primeira vez que ele tinha feito o mesmo. Que devido a ter sido traído, tinha inseguranças e então, a razão dos seus ciúmes eram os meus likes nas suas publicações. Likes. Ao que parece já tinha feito o mesmo com um amigo dela de cinquenta e tal anos. Curiosamente, o senhor teve a mesma reacção que ele e deixou um aviso - "Se ele está a fazer isto agora, ele vai fazer isto sempre, vê lá o que estás a fazer". Entretanto deixaram de falar. Dei-lhe o mesmo conselho, para ela ter atenção aos sinais vermelhos. E tivemos uma conversa boa, como sempre tivemos, durante quase uma hora. Mais há noite reparei que me tinha tirado de amigo. Nem tive o impulso de lhe perguntar o porquê, nem senti a injustiça como foi com a situação com a Catarina.
Acredito que passamos por testes constantemente e isto foi um teste e eu só me apercebi quando estava a meio.Tudo aquilo que devia ter feito antes, fiz agora. De forma automática. Claro que a Ana não é a Catarina e que são ligações completamente diferentes, mas sei que a situação em si sempre me causou asco e como tal, sempre reagi mal, até agora. O que me faz ter um orgulho enorme naquilo que me tornei. As coisas que nos acontecem servem mesmo de lição se nós quisermos vê-las dessa forma. Ainda bem.
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