A terapia correu muito bem, mais uma vez. É o que eu digo, mesmo que eu fique com dúvidas, basta voltar a ter terapias que elas dissipam-se logo. É nestas alturas que fico mais ansioso por ter este tipo de gratificação a tempo inteiro mas ainda não consegui controlar o meu tempo o suficiente para dar prioridade à procura de mais espaços, de alternativas ao trabalho que tenho agora. Acho que me conformei com a ideia de crise e de ser difícil - ando a tentar abolir a palavra impossível do meu léxico - arranjar algo que me dê a segurança financeira que necessito.
Por outro lado, cada vez penso mais na questão de hoje para amanhã ter uma namorada, de ir viver com ela e de estar limitado pela casa e pelo carro que ainda estou a pagar, o que me dificulta poder contribuir para a renda de uma eventual nova casa. Por falar nisso, mais uma ligação da Marta, que não surpreende eu começar a pensar em namorada e viver junto. Não foi por acaso. Ontem lembrei-me de pedir a ela para ir ao meu local secreto. Um que criei quando fui hipnotizado.Ao longo dos anos, foi tendo evoluções e eu já tentei levar para lá pessoas que me eram especiais, sendo que a Catarina foi a última que me recorde. A questão é que eu racionalmente as levava para lá mas a outra pessoa nunca sentia nada - e eu nem sei se levei o espírito da pessoa para lá ou não.
Pedi a Marta para tentar ir ao meu sítio secreto, sem dizer onde era, como era. Aliás, nunca lhe tinha falado sequer que tinha um sítio secreto. Mas ela foi lá. Começou por ver um anjo a levá-la até mim e eu já estava à espera dela, completamente entusiasmado e eufórico. Então levei-a até um quarto onde estava uma mesa e em cima da mesa estava uma caixa redonda, feita de porcelana e tinha desenhado na tampa uma flor roxa , que parecia alfazema. Abria e de dentro tirei uma chave e com ela na mão disse, vamos!. Então dei-lhe a mão e subimos umas escadas. No topo estava uma porta. Quando abri a porta. Eu só conseguia ver um céu azul sem nuvens. Depois teve uma imagem minha em cima de um planalto de braços abertos com o vento a passar pela cara e pelos cabelos. Era um lugar bastante alto, segundo o que ela viu. De seguida disse novamente "anda, vamos" e descemos o planalto, eu mesmo feliz por ela estar ali, e levei-a até umas cascatas onde era possível entrar e ficar atrás da água. À frente ela diz que viu o que parecia ser um rio ou lago, não conseguindo perceber ao certo qual dos dois se tratava - depois confirmei que é um pequeno lago - e viu-me sentado, com um bloco a escrever. Depois ela disse-me que tinha que ir embora porque estava com sono e eu pedi para ficar mais um pouco e é neste momento em que ela depois não se lembra de mais nada mas ficou com a sensação que lhe queria dizer algo importante. De qualquer forma a imagem com que ficou foi de felicidade minha por ela estar ali.
No entanto, quando ela disse que eu lhe queria dizer algo de importante, tive medo. Medo que eu ou melhor o meu Eu superior pudesse dizer algo que me comprometesse. Não terá ficado para outra altura por acaso mas fiquei com a sensação de que aquilo que a minha alma lhe tinha para dizer seria para declarar o meu amor por ela. Não sei, talvez nunca venha a saber, ou talvez com os acontecimentos futuros, seja algo que perca qualquer importância.
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