domingo, 23 de março de 2014

21-03-2014

Esta sexta-feira custou a passar no trabalho. A apatia que tenho sentido lá tem sido crescente. Se por um lado, aquela urgência em sair dali devido ao mau ambiente ter deixado de existir por aquilo que havia de mau entre nós ter sido ultrapassado, por outro, por me sentir confortável com o ambiente novamente, não fez com que voltasse ao estado anterior, de adormecimento. É confuso mas é como se estivesse num estado novo, intermédio, onde não tenho a ilusão de querer ficar ali por causa do bom ambiente, de saber que o meu tempo ali está a findar, mas ao mesmo tempo uma certa apatia que me impede de dar o meu melhor e inclusive de procurar algo melhor. Sinto que essa busca abrandou. E é algo que depende única e exclusivamente de mim. Acho que até deixei de sonhar. Da rádio nunca mais tive resposta, mas acho que o importante foi fazer a pergunta. Coisas válidas e importantes mas que acabam por não resolver a questão do trabalho, mas parece-me que ela não é para ser assim resolvida desta forma.

Noutra nota... tive a falar com a Marta, ela esta tarde não se estava a sentir bem e eu anteriormente já lhe tinha dito que ela podia ligar-se à minha alma sempre que quisesse e ela fez isso mesmo hoje. Em vez de ela ter ido ter comigo, fui eu ter com ela, numa espécie de jardim japonês, num dia cinzento. Ela estava a observar um lago escuro onde tinha carpas Koi gigantes - peixe que tive que ir pesquisar porque nem sabia o que era - e eu disse-lhe para irmos embora que aquele espaço não lhe estava a fazer bem. Levei-a para o campo de margaridas, onde ela tinha ido ter comigo anteriormente. Estávamos os dois descalços e começámos a andar pelo meio das margaridas, que desta vez tinham as pétalas coloridas com todas as cores do arco-íris e saia delas um brilho que iluminava os nossos pés. Ela perguntou-me pelo lobo feroz que eu queria enfrentar da outra vez e eu respondi que agora os lobos eram cães mansos - sinal de que toda a questão que me atormentava tinha sido superada ou transformada por mim. A Marta disse que sentiu firmeza e convicção nas minhas palavras, o que me faz todo o sentido. Ela deitou-se em cima de uma margarida gigante e colorida e eu segui-lhe o exemplo. Ficámos lado a lado, debaixo de um sol quente, a observar o céu com um azul forte. Eu disse-lhe que era bom estar ali, debaixo daquele sol. Nisto vieram muitos passarinhos, de várias cores, mantiveram-se a voar por cima de nós durante algum tempo até que pousaram cada um numa pétala correspondente à sua cor e ficámos rodeados de passarinhos.

A cada uma destas ligações sinto algo estranho que não consigo explicar. Não é mau, pelo contrário, é muito bom, mas... estranho. Ela sentiu-se bastante melhor depois da ligação, o que me trouxe uma felicidade imensa. Mesmo sem saber como, ou conscientemente, consegui ajudar alguém a fazer sentir-se bem, ainda por cima alguém com quem tenho uma ligação crescente. Gostava de fazer o mesmo com ela, ligar-me à alma dela, mas parece que isso é algo que ainda não está ao meu alcance. Por enquanto. Espero que mude.


Sem comentários:

Enviar um comentário