domingo, 30 de março de 2014

27-03-2014

Hoje foi o aniversário do Paulo. Consegui convencê-lo a irmos ao cinema vermos a estreia de uma adaptação para o grande ecrã de uma personagem de banda desenhada. É dos elos de ligação mais antigos que temos, a banda desenhada. Tentei ampliar isso para a música, mas certas coisas não se conseguem forçar. Ainda se juntou um grupo jeitoso para irmos todos ao cinema, o que de certa forma me deixou orgulhoso pela iniciativa ter partido de mim. A noite foi agradável e o filme foi muito bom, mas aquilo que andou para trás e para a frente na minha mente, no jantar, antes e do filme, com os casais à minha volta, conhecidos e desconhecidos foi... um certo vazio por não poder falar com a Marta e por querer que ela estivesse ali. Tinha dito a mim mesmo que não me ia meter numa situação destas novamente mas a verdade é que já estou nela. Felizmente ou infelizmente não consigo fechar o meu coração e impedir que algo assim se manifeste. Talvez já o tenha feito no passado, talvez já tenha me atirado de cabeça no passado quando decidi racionalmente que fazia sentido fazê-lo. A diferença que sinto agora é que aos poucos, o rio onde estou, leva-me calmamente para esse sítio que eu disse a mim próprio que não queria ir. E eu estou a deixar-me ir.

Hoje de manhã falei com ela novamente e chegámos à conclusão que acordámos os dois à mesma hora de madrugada, às quatro da manhã) e que já não conseguimos dormir nada de jeito. No meu caso foi pior porque deitei-me já passando da meia noite. De qualquer forma, ela ligou-se à minha alma novamente. Ela estava numa nuvem e eu estava noutra mais distante. O céu estava azul, muito azul e nisto do seu coração saiu uma luz cor de rosa que foi direito ao meu coração. Depois um anjo agarrou na mão dela e levou-a até mim. Dei-lhe a mão e os dois juntos atravessámos o espelho, o mesmo da ligação anterior, e fomos dar ao campo das margaridas das primeiras ligações. Desta vez, o campo estava diferente. Não continha apenas margaridas mas também papoilas. Ficámos os dois no chão, deitados no meio das flores a observar o azul intenso do céu. Ela diz que não se lembra de mais nada mas que ficou com a sensação de que o pouco tempo que dormiu foi a sonhar comigo.

Não fosse a distância entre nós e eu já tinha aberto o coração com ela e colocado em cima da mesa os meus sentimentos. Que diabos, já fiz o mesmo apesar da distância. A verdade ´é que já estou cansado deste registo e não quero voltar mergulhar a ele. Desde a Susana que disse que nunca mais teria uma relação à distância e que não passaria pelo que passei. Ao estar a criar resistência, mesmo por aquilo que acho que não me faz bem, posso estar a afastar-me daquilo que é para mim. E isto gera uma quantidade enorme de pensamentos quando o que é suposto fazer é sentir. E é isso mesmo que vou fazer, sentir.

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