quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

29-01-2014


A noite hoje foi complicada. Sossegar depois de um concerto daqueles foi difícil mas até acho que dormi bem, tive foi muitos sonhos. E estranhos. Já não tinha sonhos tão estranhos como estes há já algum tempo, mas neste momento, acho que não lhe vou dar muita importância. Se for uma mensagem do subconsciente ou de algo exterior, acho que se manifestará de uma outra qualquer forma. 


O dia correu bem, embora a Catarina hoje tenha faltado. A filha está doente. Provavelmente vai faltar o resta da semana. Não me preocupa. Nestas alturas, fico sempre um pouco aborrecido, já que partilhamos trabalho e a parte do trabalho dela não me agrada muito, mas ando tão bem disposto que abraço tudo da mesma forma. Tudo é bom. Este fim-de-semana também vou ter curso de leitura de aura, algo que já foi adiado umas duas ou três vezes - como se algo ou alguém estivesse a dizer: "ainda não estás pronto".

Espero que seja desta. É uma ferramenta que quero muito usar para chegar a mim próprio mais facilmente, ao meu eu-divino e claro para ajudar os outros. Já muitas vezes tive a ânsia de trabalhar apenas nas terapias, mas agora que sinto que cada dia é mais um pequeno passo nessa direcção, estou completamente calmo em relação a isso. Tão calmo que tenho receio de estar a confundir calma com letargia. Não deverá ser. Tudo será como deverá ser. E eu aceito isso. Pela primeira vez, eu aceito o que aí vem, seja o que for.

28-01-2014

Cheguei agora do concerto e estou completamente... ligado! É fantástico eu ter esta oportunidade para  trabalhar em algo com a música e com a escrita, duas das minhas grandes paixões, senão as maiores. Sinto-me verdadeiramente abençoado. A música é a linguagem universal que nos fala aos corações quando as palavras não chegam para descrever, mas as palavras, essas escritas ou ditas são necessárias para fazer chegar a música aos corações daqueles que não conseguem ou querem viver. Estou exausto mas estou feliz. Verdadeiramente feliz. É bom ser eu.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

27-01-2014

Os meus pais fazem hoje quarenta anos de casados. 40. Depois de tudo o que passaram, depois de todas as crises, e de vez em quando andarem às cabeçadas um com outro, não deixa de ser uma marca... respeitável. A ideia de amor será diferente daquela que idilicamente desejo, certamente. Mas... mesmo assim, não deixa de ter significado. Nem sempre há calma, nem sempre há paciência. De parte a parte, ainda há aquela intolerância para com as falhas um do outro mas mesmo assim, lá estão, um com o outro. Talvez eles sejam uma lembrança daquilo que não quero ter, idilicamente, mas um exemplo para o que quero atingir. Longevidade com alguém ao meu lado que me aceite e que eu aceite essa pessoa. Tal como ela é. Estes quarenta anos são mais do que eu e o meu irmão, o filho do meu irmão. Mais do que está à vista. São um feito, não desconstruído em algo palpável, que a sociedade possa quantificar, premiar ou condenar.

É a aprendizagem. É a viagem. É o saber que se errou. É continuar. Talvez nem sempre consciente disso, mas continuar.

Para mim durante muito tempo foi, "quando for grande, não quero isto para mim".

E não quero desta forma, assim como sei que não vou ter da forma como quero, porque continuo preso a concepções do passado, a fórmulas fracassadas do passado. Aquilo que eu aprendi hoje, com a constatação destes quarenta anos foi que... talvez não me case, talvez não encontre alguém. Mas se isso acontecer, importa que o sentimento esteja lá. Sem regras. Apenas paz, respeito e claro... amor. Apenas isso. Muitas vezes tive as portas do meu coração fechadas, muito tempo. Hoje sei que elas estão abertas. Para receber isto mesmo. Das formas como a vida entender. 

Eu saberei quando o encontrar, nem que dure quarenta semanas, dias, horas, minutos ou segundos. Saberei.

domingo, 26 de janeiro de 2014

26-01-2014

O pai de um dos primos do Paulo faleceu esta madrugada. Estava tudo bem, jantou com a família e durante a noite, faleceu. Temos sempre a ideia da morte em que nos sentimos preparados para ela, em que temos tempo nos despedir das pessoas, em que estamos prontos para dizer adeus a esta ou aquela pessoa, mas não é bem assim. Aliás, não é nada assim. Nunca se está pronto. Só na cabeça de um pretenso suicida como eu - título que apesar de longínquo estará sempre gravado nas cicatrizes do meu corpo - poderá ser assim. Ou daqueles que adiam para amanhã pensar nessas coisas. Já tive raiva dessas pessoas, mas hoje em dia, será mesmo melhor concentrarmos energias naquilo que nos faz felizes. Temos tempo para encararmos as perdas daquilo a que estamos apegados. Se calhar gasta-se melhor tempo e energia a ficarmos desapegados de tudo e de todos, mas isso já estou a divagar...

Como estava a dizer, sempre tive a ideia das notas de despedida. Dos vídeos com os momentos que emocionem os que ficaram para trás, uma forma de tocar o coração de todos. Não era mais que uma forma de tentar com a morte aquilo que achei que nunca consegui em vida, fazer com os outros gostassem de mim. Felizmente, é algo que faz parte do passado e hoje em dia consigo realmente sentir a forma como a minha vida toca e é importante para as outras pessoas. Quando o momento chega, é sempre um choque, nunca se está pronto para dizer adeus a quem se ama, principalmente quando nos é arrancado sem qualquer aviso. E não sei se é pela minha experiência pessoal com a morte, com as vezes que estive à beira dela ou com aquilo que já vi e senti com o reiki mas acabo por sentir sempre um vazio quando surgem notícias destas. Tristeza solidária para com os familiares que são deixados para trás mas vazio pela pessoa que seguiu. Hoje em dia sei que não basta morrer para ir para algo melhor. Que tal como antes, durante a vida, se vivemos apegados a algo, quando a transição de estado que chamamos de morte aparece, esse apego faz com que se fique preso a um sítio onde já não se tem lugar e há muita sabedoria a aprender com a morte, principalmente na forma como se vive a vida. 

A vida é como um rio onde ou vamos com a corrente ou gastamos energia a tentar andar no sentido contrário, gastamos todas as energias, e acabamos por ir na corrente na mesma. A questão é que essa perda de energia pode ser o suficiente para não se consiga ter o discernimento para sabermos onde estamos ou sequer nos lembrarmos quem somos. 

Não é o tipo de conversa que se possa ter com toda a gente.

25-01-2014


Nada como ficar em casa, entretido com música, escrita e cinema. E há sempre algo que se pode aprender, há sempre uma mensagem subliminar que nos faz sentido. Nem que seja ao ver um filme péssimo, que apesar de ter um bom actor no papel principal, tem uma história ridícula e irritante, sobre um casal que passa a vida a discutir, envolvidos por um ambiente hostil que só faz com que as questões resolvidas do passado, bem mais à superfície do que julgam, venham ao de cima. E a agressividade latente sempre disposta a explodir a cada desculpa que encontram. 

Até mesmo num filme manhoso se encontram espelhos assustadores para a nossa realidade. É melhor lidar com as coisas, enfrentá-las, digeri-las e libertá-las do que ficar à mercê de raiva não resolvida e ser-se controlado por ela. A diferença entre escolhermos o nosso caminho, por muitas influências ou condicionantes exteriores possam haver, e sermos levado a ter atitudes ou a fazer escolhas mediante ressentimento, ciúmes e todas aquelas coisinhas pequeninas que nos tornam ainda mais pequeninos.

Há sempre algo de útil naquilo que nos aparece à frente e nada é por acaso.

24-01-2014

O concerto foi brutal. Apesar de não conhecer bem as bandas, apesar de ter ido sozinho, consegui valorizar o tempo, consegui sentir-me... acompanhado mesmo no meio de uma multidão, para contradizer o velho chavão. Não é a primeira vez que o faço, desde que sou repórter que já fui a uma série de concertos sozinho, mas acho que estas visitas ao passado obrigaram-me a colocar em perspectiva. O primeiro concerto que fui sozinho foi quando andava ainda a chafurdar na lama por causa de toda a questão da Susana e a banda que fui ver tocou em todos os pontos que me doíam. Bem, na altura era sensível a tudo, mas de qualquer forma, não consegui perceber o importante. O que era realmente importante. Quer dizer, consegui, mas não lhe dei o valor suficiente para que importasse. Não consegui ver de que foi um dos momentos de maiores comunhão que tive e foi com uma multidão de estranhos. 

Hoje, felizmente, consegui perceber que isso aconteceu, tanto naquela altura, como agora, nesta noite. São mais de três da manhã e eu estou completamente eléctrico, mas acima de tudo, feliz. Feliz comigo próprio, feliz por andar no meio de uma multidão de desconhecidos sem olhar por cima do meu ombro, como se estivesse a ser observado por tudo e por todos. Feliz por estar leve e leve por estar feliz. É engraçado como as coisas funcionam como num círculo vicioso, para o bem e para o mal. É bom estar do lado oposto, muito bom.  

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

23-01-2014

Os dias passam num instante. E tenho-os tão preenchidos que por vezes chego admirado ao final do dia como é que consegui fazer tudo. Também acontecer chegar ao final do dia e dizer a mim mesmo que no dia seguinte tenho que fazer isto e aquilo. 
É engraçado... mas só agora reparei que isso já não acontece há já algum tempo. O "tenho de". Tenho de fazer isto, tenho de fazer aquilo. Sempre fui um pouco sensível à forma ditatorial como me apresentavam o "tenho de". Respondia sempre de forma algo seca algo como "a única coisa que tenho de fazer é de respirar enquanto estou vivo e de morrer quando deixar de respirar". E é engraçado como em alguns casos somos intolerantes para com os outros e não reparamos que fazemos o mesmo a nós próprios. 

É engraçado também como, apesar de viver no presente, cada vez mais, o viver no presente, tem-me levado a confrontar ou a ser confrontado pelo passado, quase como ponto de comparação entre aquilo que eu era e aquilo que eu sou. De uma pessoa que não gostava do que fazia, sem rumo, sem objectivos, sem amor próprio ou auto-estima, segurança e confiança a si próprio a uma pessoa que gosta da sua função, que tem um part-time como terapeuta massagista e jornalista de eventos e que escreve crónicas para publicações online.

Quando pensamos que temos a nossa vida toda planeada ou que já sabemos o que vai acontecer, ou mesmo quando julgamos que vai ser um mar de misérias, com aquilo que julgamos factos imutáveis, implacáveis e fatais, não é preciso muito tempo para que nos seja provado contrário. Convém também que o desejo de mudança esteja no nosso interior e que queiramos caminhar em qualquer direcção. Não com o principal objectivo de se chegar lá mas porque se quer fazer esse caminho, porque aceitamos em paz esse desafio.

Amanhã tenho um concerto para fazer reportagem. Vou sozinho - mais uma das coisas que mudou. É bom ir sozinho a concertos e já fui a tantos... Sempre que vou sozinho, vou sempre com a melhor companhia possível, a minha.