Hoje tive uma das conversas mais francas de sempre com a Marta. Tudo começou por acaso - já lá vamos - e acabámos a falar de receios nossos, daquilo que temos medo, daquilo que nos é desconfortável. De certa forma, sempre foi uma conversa que evitei. Não por receio pela reacção dela mas por hábito de não falar o que sinto, hábito de me manter calado. Sim, admito, um hábito de medo, que se enraizou. Um hábito de não gostar de conflitos, por de alguma forma, saber, que não serei eu a agir num conflito. Serei sempre uma versão diminuta de mim a reagir num conflito. Apesar de todas estas coisas enraizadas, falei daquilo que sentia. Apesar de um certo receio que acho que a Marta tem, ela também falou. Eu não quero impor nada, não quero que a mulher da minha vida se sinta obrigada a ser quem é para me agradar, não quero ter esse peso sobre mim. Não quero viver numa ilusão, apenas para descobrir daqui a dois anos e meio de que o sonho acabou. Eu sei que nada dura para sempre e eu estou em paz com isso, mas enquanto dura, quero que seja real. E depois da conversa que tive com a Marta, os meus receios foram afastados, pelo menos por enquanto. Senti verdadeiramente que o ela aparecer na minha vida, alguém assim tão perfeito, alguém tão de acordo com aquilo que tinha pedido, durante muito tempo, muitas vezes, não é uma ilusão que construí, não é uma ilusão que me foi oferecida. É real. É real vinte e quatro horas por dia. Implica mudanças, mais ténues do que supunha e implica eu ser eu próprio, sem máscaras. Algo que definitivamente não estou habituado. Poderá parecer mais fácil que parece, ter alguém que te aceita tal como tu és, mas a verdade é que, é difícil, difícil que isso não nos suba à cabeça, difícil não ficar viciado nisso, difícil não querer abusar desse pesadelo. Quer dizer... ainda não senti essa dificuldade, mas a tentação... poder corrompe, poder absoluto corrompe absolutamente.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
14-07-2014
Hoje acordei com a neura. Dormi pessimamente e acordei com a neura. Uma neura descomunal que me acompanhou durante todo o dia. A Marta notou isso. A Catarina também. Na verdade, eu não tinha nada para responder às suas perguntas. Eu não sei o que é ou pelo menos não sabia, agora se calhar já desconfio. A minha incapacidade de aceitar de que não consigo controlar tudo, não consigo controlar todos os eventos todas as coisas grandes, todas as coisas pequenas. Acontece o que tem de acontecer e apesar de tudo o que vivi, apesar de tudo o que já aprendi, ainda não consigo aceitar isso. Aceitar de forma completa e ficar em paz com isso. O reconhecer já me deve dar algum avanço mas esta sensação de resistência está a incomodar-me. Tenho que me tornar mais solto, tornar mais livre, mais leve, largar este peso que carrego em cima. A questão é que neste momento não consigo distinguir o que é peso ou o que sou eu. Não sei o que largar para trás e admitamos que largar coisas pelo caminho nunca foi a minha especialidade e quando o fiz foi porque as coisas me largaram a mim ou porque me forçaram a fazê-lo. Ou seja, a vida encarregou-se de colocar uma parede à minha frente a cada momento em que eu precisei de bater com a cabeça na parede para acordar. Se calhar é disso que eu estou resistente, de mais uma parede que me force a largar mais qualquer coisa da qual não me apetece prescindir neste momento, mas agora, aquilo que tenho que largar é mesmo a resistência.
13-07-2014
Finalmente, um dia em que não fiz mais nada se não estar em casa com o meu amor. Sem obrigações, sem interrupções. E é um dia como estes que me mostra como eu sou retraído, inconformado ou qualquer outro adjectivo de que agora não me recorde. Apesar de ter este dia que já ansiava há já algum tempo, e ansiava por ter a necessidade de parar um pouco e não ter algo para fazer, no final do mesmo (ou seja, agora) não me deixei de sentir culpado. Culpado porque o devia aproveitar da melhor forma, por sentir que devia ter pegado na Marta e levá-la à praia ou qualquer lado. E receoso por ser uma indicação de um futuro provável. Todo o dia em casa. Se nem eu aguento isso (mesmo que o faça), como é que alguém poderá aguentar? Mesmo que esse alguém me ame incondicionalmente como a Marta. Mesmo que ela me conte ligações de alma como esta que teve uns dias atrás em que estávamos no sítio secreto, sentados na relva abraçados. Eu estava com um livro de poesias de amor e estava a declamar-lhe uma quando nisto ela vê um coração vermelho tridimensional por cima das páginas do livro. De repente surgiram várias figuras vestidas de branco com uma luz intensa. Deram as mãos e fizeram uma roda à nossa volta. Estavam bastante alegres parecia uma festa ou comemoração algo do género. Depois juntaram os nossos pulsos. O seu pulso direito com o meu esquerdo e fizeram um laço com uma fita branca. Entretanto, ela adormeceu e não se lembro de mais nada. Nitidamente por estarmos juntos.
Eu não quero estragar isto.
Eu não quero estragar isto.
domingo, 13 de julho de 2014
12-07-2014
Um dia sem fazer nada. Já sentia falta disto. Apesar de não ter sido propriamente destituído de tarefas, acho que isso me seria impossível, foi sem compromissos exteriores, sem coisas que tenho que fazer ou... quer dizer, fui jantar à casa dos meus pais, mas tal nem soou a tal, a compromisso ou obrigação. Foi um bom dia, correu mais ou menos planeado e mesmo assim no seu final não deixei de sentir um certo vazio. A poeira está a assentar, aos poucos, os efeitos colaterais das mudanças vão desaparecendo e ficará tudo aquilo que realmente é. Acho que de certa forma, tenho receio daquilo que realmente é. Seja o que for. Como se no meu íntimo pensasse que... está tudo a correr bem demais e como tal estivesse à espera de uma desgraça qualquer. Tenho que confiar que, independentemente do que acontecer no futuro, bom ou mão, será sempre algo que atravessarei e que vou continuar. Provavelmente é nervosismo pelos próximos desafios, ir à entrevista a mais um espaço em Lisboa, ir para o Festival de Músicas do Mundo de Sines.
Basicamente para eu ser um homem feliz, não posso ter compromissos na agenda, mas também quando isso acontece penso que não acontece nada. Enfim...
Basicamente para eu ser um homem feliz, não posso ter compromissos na agenda, mas também quando isso acontece penso que não acontece nada. Enfim...
sábado, 12 de julho de 2014
11-07-2014
Ontem quando nos deitámos, a Marta sentiu novamente a luz branca do Arcanjo Gabriel nas costas dela. Não sei o que significou a ausência dos dois dias, mas talvez tenha sido para nos fazer ter uma atitude, de tentar ajudar, embora me pareça que as razões para certas coisas vão-nos parecer sempre misteriosas. Nesse aspecto a minha curiosidade é bem mais calma do que aquilo que era, já não me oprime não saber ou não perceber o propósito de tudo o que me acontece, principalmente de coisas ligadas ao... sobrenatural, chamemos-lhe assim.
Agora noutro assunto... o Nando ligou-me a convidar para ir ao cinema. Na verdade não me apetecia muito, mas havendo um filme que motivasse a ida, até era capaz de ir mas antes disso a minha mente começou logo à procura de saídas como um animal num canto encurralado. Desculpas. Dinheiro, filmes que não interessam, tudo menos dizer a verdade que era simplesmente não me apetecer. Não só para não ferir os sentimentos dele mas principalmente por não querer admitir que não me apetecia sair. No passado critiquei alguns amigos por mudarem quase de personalidade, por deixarem de falar. Lembro-me que o fiz principalmente com o Pedro, quando ele andava com aquela rapariga que o desgraçou. Depois disso também senti que ele só falava comigo quando precisava. Não quero ser essa pessoa, que só tem os amigos quando não tem namorada, que só procura as pessoas quando precisa. Mas também não quero ser quem está com as pessoas por frete. Eu sou anti-social, raramente quero sair de casa. Não sei se é de nascença ou se foi quem me tornei, mas dificilmente consigo deixar o conforto onde estou para ir a um sítio qualquer apenas por querer ir a um sítio qualquer. É perigoso também para a minha relação com a Marta porque ninguém é tão caseiro quanto eu e as mesmas rotinas acabam por enjoar... Os últimos tempos têm sido movimentados, mudei de casa, mudei de vida e ainda estou a ver se vejo a poeira a assentar. Estou a tentar parar o meu mundo. Temos sempre aquilo que queremos e eu sei isso melhor que ninguém. O Universo dá-nos o que pedimos quando os factores certos estão conjugados. O trabalho relacionado com as terapias abrandou porque eu precisava que abrandasse. Eu preciso que seja uma coisa de cada vez, aquilo que preciso nem sempre é aquilo que realmente preciso. Aquilo que preciso muitas das vezes é aquilo que eu quero e o que eu quero não é aquilo que me serve.
Eu sei que não me vou tornar nessa pessoa, sei que posso escorregar de vez em quando, fazer erros, passos atrás, mas eu não me vou tornar nessa pessoa. Falei com a Marta e vou convidar o Nando a vir cá para que a conheça e conheça os animais. Eu não me vou tornar nessa pessoa.
Eu sei que não me vou tornar nessa pessoa, sei que posso escorregar de vez em quando, fazer erros, passos atrás, mas eu não me vou tornar nessa pessoa. Falei com a Marta e vou convidar o Nando a vir cá para que a conheça e conheça os animais. Eu não me vou tornar nessa pessoa.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
10-07-2014
Hoje passei o dia todo a pensar em fazermos uma leitura de aura. Quando partilhei as minhas intenções com a Marta e com a Catarina em alturas diferentes do dia, elas também pensaram no mesmo. Na verdade, e agora pensando bem, não fui eu que partilhei as minhas intenções, foram elas que me falaram da ideia, embora eu já andasse a pensar nelas há uns tempos. Não interessa, o que interessa é que estranhamente ou não, estávamos todos a pensar no mesmo. Ambas disseram-me de forma diferente também algo que eu já sentia, de que a mulher de preto não nos quer mal mas que quer ou precisa de falar e enquanto não o fizer não se vai embora. Foi a sensação que tive quando acabámos de limpar a casa ontem, pensamento que tentei sacudir.
Quando cheguei a casa fomos imediatamente para a meditação das rosas. Foi a primeira vez que a fizemos lado a lado sem a presença da Catarina e até correu bem. Tentei concentrar-me ao máximo para ver o quer que seja, sem concentrar-me em nada. Quer dizer, tentei fazer o mesmo da última vez, concentrar-me na rosa, e deixar-me ir. Não sei se foi por causa da pressão - que pelos vistos continua a ser o meu maior inimigo - não vi nada. Não nego que fiquei desiludido. Esperei que a Marta acabasse, com algum receio que ela também não tivesse visto nada, mas assim que ela abriu os olhos e me disse: "beeeem, que história...". E então ela contou-me a história da mulher de preto. Viu imagens da mulher a morar num palacete perto daqui, viu o seu marido, um homem com uma cartola, vestido a rigor. Viu uma carroça, cavalos e um acidente. Viu a mulher mais a filha. E foi nesta altura que a mulher de preto lhe disse que ela era muito parecida com a sua filha, embora depois fosse alternando com a afirmação de que era ela a sua filha. A mulher deu algo à filha que acabou por resultar na sua morte. Algo que a Marta sabe que foi um acidente, que não foi propositado, mas a mulher só pedia desculpas, só pedia para a perdoar. A Marta beijou-a na face e disse que ela estava perdoada. Depois chamou por dois guias para a levar para a luz, imaginando a mesma não muito distante e uma estrada até lá. Depois disse-me que os guias eram o Arcanjo Miguel e Gabriel. A mulher de preto ainda olhou para trás a pedir uma confirmação para a o perdão, pedido que foi atendido. E ela foi em paz e sentimos isso mesmo, sentimos mais leveza na casa.
Ah e na noite anterior, a Marta teve uma visão quando estávamos a dormir. Quer dizer, ela não sabe se foi sonho ou se foi algo que estava realmente a ver. De qualquer forma, viu o meu espírito a abandonar o corpo e a ir para o dela, com as mãos tocando-lhe, com que a curar, como que a proteger o corpo físico e etérico dela. Não me recordo rigorosamente de nada e é uma daquelas ocasiões em que eu tenho quase a certeza de que os meus maiores trabalhos e feitos são aqueles que partem e se passam no meu inconsciente. Não digo isto de forma negativa, mas é como se eu em espírito fosse tudo aquilo que desejava ser, a nível de protecção espiritual das pessoas que gosto.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
09-07-2014
Hoje quando cheguei a casa, vinha decidido a fazer uma limpeza à casa para expulsar todos os espíritos, tudo o que não fosse daqui. Por um lado, tinha a vontade de encaminhar para a luz, tal como já o fiz algumas vezes no passado, com Reiki, mas por outro, apenas queria limpar a casa, sem querer saber de mais nada. Talvez seja um certo cansaço destas histórias, o que, se parar para pensar, acabo por ficar com alguns sentimentos de culpa. De qualquer forma, falei com a Marta e fomos limpar a casa. Eu com o meu reiki e ela a fazer um fumo de limpeza, concentrando-se nos cantos e fazendo rezas - por acaso não sei que rezas foram... quando estava na sala, no mesmo sítio onde vi a mulher de preto, senti um enorme arrepio. Quando passei pela Marta - ela estava sempre um passo atrás - pedi-lhe para ela se concentrar especialmente no sítio em frente à janela. Quando, depois de acabarmos, lhe perguntei o que é que ela sentiu, ela disse-me que também ficou toda arrepiada. Vamos ver como é esta noite.
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