Hoje o meu colega perguntou-me se estava tudo bem. Acho que apenas quando estive na mó de baixo com a Catarina é que ele conseguiu notar o que se passava comigo. A terapia de ontem mexeu comigo de finitivamente. Não sei em que medida, talvez pela frustração, talvez pela conexão ou conexões que foram feitas mas continuo a sentir-me exausto. Mais que exausto, sem paciência e com uma ponta de ansiedade que não consigo quase identificar mas que de certeza que está relacionada com a palestra de amanhã. Também relacionada com o facto de querer ir viver com a Marta e querer despachar esta fase o mais depressa possível. Estando num purgatório, entre o agora e o após amanhã, onde tudo já está resolvido.
A noite foi complicada, muitos sonhos e novamente a acordar às quatro e depois às cinco e depois quase de dez em dez minutos a olhar para o relógio. Ontem acabei por não pensar muito nisto, mas hoje durante o dia tenho a certeza de que é principalmente um sentimento de frustração, por ter tanta coisa para resolver e não conseguir resolver tudo agora, já. Paciência, preciso de paciência. Para a tentar ver, tentar ligar-me à minha alma, não ter expectativas em relação ao que surge para que cada tentativa não custar o que tem custado, que tem sido imenso. Querer tanto, querer demasiado. Ontem, ela ia-me informado quando estava a receber informação e parece que não, de certa forma, sentia-me automaticamente pressionado. Acho que vem tudo daí. Da pressão. A pressão que eu sinto. Enquanto ela me estava a fazer a terapia multi-dimensional, ela sentiu uma energia brutal no meu chakra cardíaco e ficou surpreendida por eu não ver, ouvir ou sentir nada mas a verdade é essa. Não houve nada de anormal. Sei que as coisas a nível espiritual e inconsciente estavam a acontecer, mas eu não tive percepção de nada. As imagens que me ocorrem atribuo à minha mente andar a correr de forma selvagem. Talvez seja essa a minha forma de ver, talvez seja por aí, mas automaticamente tento encontrar sentido e o sentido escapa-me. Pergunto, “o que significa isto?” ou “porque é que estou a ver isto?” e as imagens simplesmente continuam. Peço para que as imagens se tornem mais claras ou que venham com mais calma e elas ou continuam ou simplesmente param. Como disse ontem, ela deu-me a indicação para comunicar com a minha alma e que o processo será feito aos poucos. Ou seja… paciência novamente. Muita paciência. Com tudo. Principalmente comigo mesmo.
Falei com a marta a meio da manhã, a perguntar se estaríamos interessados em ficar com os electrodomésticos da casa que vamos ver, ela reparou logo que não estava bem. Aliás, ela tinha logo reparado que ontem não estava bem, quando falámos pelo face. Tal como a minha mãe, disse-me hoje, quando cheguei a casa, que ontem estava em baixo mas que não quis puxar por mim por sentir que não era a melhor altura. Acho que estou mesmo ansioso com esta história da palestra e com todas estas mudanças que por aí vêm. Quer dizer, pela primeira vez na minha vida, não estou ansioso com as mudanças que vão acontecer. Pela primeira vez... estou ansioso pelas mudanças ainda não terem acontecido. Queria que fosse tudo, já. Agora, neste momento. Já!
Tenho que esperar um pouco. Vou estudar mais um pouco aquilo que vou dizer amanhã na palestra. Quem diria, o rapaz com medo de pessoas a falar para uma série de desconhecidos sobre uma matéria que até não pode dizer que domina. Mesmo que não dominasse, acho que estaria ansioso na mesma.
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