segunda-feira, 26 de maio de 2014

24-05-2014

Esqueci-me de referir ontem que houve desistências no curso. Engraçado como se tudo processou em relação a este curso. A leitura de Aura. Comecemos então pelo início. A Tatiana falou-me da leitura de aura, eu fiquei com curiosidade, na altura da primeira vez que a Catarina acabou comigo. Uma outra amiga minha, a Carla, falou-me numa amiga dela que também fazia. Tentei essa primeiro, enviei um mail do qual nunca tive resposta. Tentei a pessoa que tinha feito a leitura à Tatiana e tive resposta. Fui fazer, fiquei esmagado pela quantidade de informação que recebi. Mostrei à Catarina. A Catarina foi fazer. A Catarina decide fazer curso de leitura de aura. Fico tentado a ir mas na altura estava com o curso das massagens, não tinha a verba disponível e sabia que se o fosse fazer, seria pelas razões erradas. Depois de muitas peripécias, convenço a Catarina a fazer curso da leitura de aura, existem quatro pessoas interessadas, talvez cinco, uma delas a Tatiana. O início do curso foi adiado muitas vezes, mas uma das primeiras foi porque eu só estaria pronto no início do ano seguinte, este ano 2014. No final de janeiro, eu e a Catarina chateamos-nos e o que alguém me disse - acho que foi a Sofia - foi que ela não tinha vontade de me dar o curso. acredito que na altura isso fosse verdadeiro, eu próprio não tinha vontade dela me dar curso. Aquilo que eu acho que estava a impedir, durante algum tempo, o que provocou o adiamento, era o meu apego a ela. Apesar de estar para trás das costas aquilo que sentia por ela em termos amorosos, na verdade ainda estava apegado à sua presença, à sua ajuda. Como uma muleta da qual não me queria desfazer. Acho que era por isso que o curso foi adiado, acho que era por isso que não estava pronto. Também me faz sentido por aquilo que acusava o namorado dela, de ser ciumento e possessivo, fosse de alguma forma o que estava a passar. Uma espécie de reflexo em ponto pequeno. Eu sempre senti que ia fazer parte da vida da Catarina para sempre, inicialmente de uma forma amorosa, mas depois que decidi seguir em frente - por alturas em que conheci a Ana - como um amigo sempre presente. Quando ela começou a namorar fiquei contente por ela mas aos poucos comecei a ressentir-me por saber que ele não me via da mesma forma como o via a ele. Acho que não estou habituado a que não gostem de mim e isso torna-se mais surpreendente quando se trata do namorado da minha melhor amiga. A reacção dela também me magoou. Talvez tenha feito algo que tenha sido sentido como um ultimato, ou eu ou ele, mesmo não sido isso que queria. Apenas não percebia, e não percebo, porque é que tem que haver uma escolha. De qualquer forma, durante grande parte desta primeira metade do ano, não tinha vontade de fazer o curso, nem sequer de estar na presença dela.

Até que apareceu a Marta. E tudo mudou. Não radicalmente, não da noite para o dia, mas a ajuda que ela me deu e a paz que me trouxe... fez-me... fez-me caminhar por brasas descalço, sem me aperceber que o estava a fazer a não ser no final. E quando me apercebi, não me queimei. Além de ter-me desapegado da dor que implicou toda esta questão mas mais que da dor, pela mágoa e ressentimento perante a Catarina, também fez com que me apaixonasse e sentisse uma série de coisas novas para mim, como a paz. Duradoura, constante. De uma vontade de fugir de tudo o que implicava a Catarina passei para uma indiferença. Não com desprezo, mas com amor. Indiferença para com aquilo que tinha passado, indiferença para com o seu namorado, indiferença para com o meu apego, indiferença perante todas as questões kármicas que marcaram a nossa relação. E isso libertou-me e tornou tudo bem mais fácil, o que fez com que uma data para o curso fosse finalmente marcada. As cinco pessoas que estavam em vista e pelas quais os cursos foram diversas vezes adiados... duas desistiram. Por outro lado, a Marta mostrou-se interessada, depois de eu sentir que fazia todo o sentido ela ir. Ficaríamos quatro. Eu, a Marta, a Tatiana e o Nando, o irmão da Catarina. Ontem à noite soube que nem a Tatiana, nem o Nando iriam.

Deram-se estas voltas todas e fiquei apenas eu e a Marta, por isso, acho que eu estava mesmo à espera dela. Sei que as coisas que são importantes para nós, vêm do interior, mas tenho a certeza absoluta que isto era para ser partilhado por nós dois, que seria um caminho que faríamos os dois juntos e de uma certa forma poética e romântica, foi isso mesmo que aconteceu. Estivemos ambos à espera um do outro. Para amar e para o nosso caminho espiritual que neste momento, e espero que por muito tempo, converge um no outro.

E tudo correu muito bem, sendo que acho que não foi estranho estarmos os três juntos, foi um ambiente de puro amor e amizade. Pelo o que senti, tanto a Catarina gostou da Marta, como a Marta da Catarina e apesar de todo o nervosismo envolvido, tanto da Catarina pela responsabilidade de dar o curso, como da Marta pelo facto de mexer com algo que ela durante muito tempo abafou por medo da reacção das outras pessoas, acho que tudo fluiu muito bem. Partilhámos histórias e aprendemos muito e finalmente, eu conseguir ver algo, após algum esforço conseguir ver. Não é da forma como eu pensava que seria mas o facto de ter ido sem expectativas, pela primeira vez, acabou por ajudar de forma decisiva.

Foi um excelente dia mas agora estou de rastos. A Marta saiu daqui há pouco, estou à espera que chegue a casa, e ela também ia exausta. Nestas alturas só me dá vontade que ela fique aqui, mas também isso é uma questão de tempo. Amanhã continuamos.

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