Hoje foi dia de visitarmos uma das nossas sucursais. Esta visita foi um pouco abordada com desinteresse da minha parte, reconheço e admito isso. Há que é sinal daquilo que tenho sentido ultimamente em relação ao trabalho. Um pouco paradoxo, eu sei. Por um lado, um interesse e um querer fazer mais - porque cada vez mais preciso dele, preciso da sua estabilidade e para fazer a mudança de vida que estou prestes a fazer, não creio que consiga fazer ser ter os pés bem assentes num sítio qualquer que me traga segurança financeira. O que me leva a colocar em dúvida se esta linha de pensamento também não será uma forma de bloqueio. Bem, para ser sincero, também não tenho pensado muito nisso, numa forma de sair da empresa onde estou para fazer outra coisa, com a mesma segurança financeira. Neste momento, não é definitivamente importante para mim. Mas... divago. A seguir a um almoço reforçado - já tinha saudades destes meus exageros culinários - tive um ataque de letargia que me quase colocou em coma. Não sei se foi cansaço acumulado, de estar de uma certa forma farto de estar ali, na sucursal ou se farto de estar na empresa. Não foi nada que sentisse, nada mais que a vontade de querer deixar cair no chão e adormecer. Depois de uma breve reunião, as coisas até acabaram por animar um pouquito, principalmente porque estava na hora de ir embora. Acabei por ficar por lá, combinei com a Marta para ela ir lá ter comigo. Tínhamos planeado ir ao cinema, mas acabámos por decidir ir para a minha casa, ver um filme, já que ambos estávamos a acusar o cansaço e já não tinha paciência para esperar cerca de quatro horas por uma sessão. Acabou por ser o melhor que fizemos, passámos bons momentos os dois. Sempre tive tendência caseira, não é segredo de ninguém mas o que é certo é que com as minhas últimas namoradas, a Catarina, e a Marta (a minha amiga com quem andei depois da Susana durante um breve tempo), havia a pressão implícita do fazer algo mais do que apenas ficar em casa. Só me apercebo disso quando vejo-me a arranjar alternativas, de uma certa forma frenética, para ficar em casa. A resposta do outro lado é invariavelmente a mesma:
"Estejas onde estiveres, eu estarei contigo"
E eu fico inconformado com isso, por lhe querer dar mais, por querer dar aquilo que as outras exigiram. Por achar que ela merece mais do que isso, mais do que eu sou capaz de achar. Continua a ser uma surpresa, saber, ver e sobretudo sentir que o que ela quer é o que eu quero. Incrédulo mas acabo sempre por me resignar a essa evidência. O que é engraçado é que nós dois queremos agradar um ao outro, embora eu acabe por ficar com a sensação de que ela acaba mais por me agradar a mim do que eu a ela, mas também sei que se lhe dissesse ou perguntasse algo, ela diria que está mais do que agradada. Está feliz. Pois, eu também.
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