quinta-feira, 1 de maio de 2014

30-04-2014

Hoje foi um bom dia para aceitar e ficar em paz com decisões tomadas. Aquelas que foram decididas tendo por base uma hesitação ou uma fé ou talvez as duas. Meses atrás surgiu a oportunidade de mudar de serviço de internet, sem ter custos pelos aparelhos. Na altura senti uma resistência extraordinária dentro de mim e fugi daquilo a sete pés. O Paulo acabou por aderir mas eu mantive-me céptico. Depois houve um fiasco para mudar para fibra devido à fusão da minha operadora com outra - convenceram-se que havia fibra na zona, apesar de estar céptico. De qualquer forma, lá me convenceram e pensei que daí tinham surgido as minhas dúvidas em ter aderido à outra proposta: porque estava a aguardar por esta, bem mais vantajosa. Acabei por ser contactado depois porque... não havia fibra na zona. No início deste mês recebi a notificação de que o serviço ADSL terminaria a 15 de Maio e como tal teria que entrar em contacto para ter conhecimento das alternativas ou por telefone ou dirigir-me a uma das lojas da operadora. Acabei por ligar hoje quando cheguei a casa e as alternativas foi exactamente a mesma opção que tinha hesitado antes, só que desta vez, a pagar cinquenta por cento do valor dos aparelhos.

Custou-me a engolir, sinceramente. Senti-me revoltado comigo mesmo e com a minha falta de coragem ou visão em reconhecer algo bom quando me aparece à frente. Na verdade, sei que fiquei paralisado e também sei que quando isto aconteceu era uma pessoa bem diferente do que sou agora, mas mesmo assim, não deixo de sentir uma ponta de revolta para comigo, afinal, o dinheiro sai-me do corpo e privo-me de tantas coisas para gastá-lo de maneira parva. Mas como disse, não sou a mesma pessoa que era e sei que, contornando os velhos hábitos, o dinheiro gasto não foi para os aparelhos. O dinheiro gasto foi para a aprendizagem. Aprendizagem sobre o que senti quando senti dúvidas, quando senti medo. Talvez tenha sido uma aprendizagem cara, mas também sei que será muito útil. Pelo menos a fazer a comparação com situações iguais e eu sei que um fosso gigante, um vale, separa o que era sete meses atrás e o que sou agora.

Do lado positivo, a Marta veio cá depois do jantar - insistiu em não jantar connosco e eu respeitei a sua decisão, algo que é uma das coisas que mais amo na nossa relação, como nos respeitamos um ao outro de forma enorme. Não creio que tenha sentido tanto respeito assim, nem pela minha mãe, que é a pessoa mais próxima de mim. Acho que nem sequer vi ao meu redor. É bom vivê-lo. Vimos um filme que ambos nunca tínhamos visto e o qual já ando para ver há montes de tempo. Ambos adorámos o filme mas mais que isso, adorámos a companhia. Este vai ser um hábito que teremos, o que bate certo com o sonho que ela teve, de estarmos os dois juntos a ver filmes - não será também de estranhar o facto dela sentir-se bem na minha casa, como se a conhecesse. Quem sabe quantas vezes passeou entre estas paredes, em viagens astrais?

Sem comentários:

Enviar um comentário