Hoje acordei com o sonho mais parvo que há memória. Colegas de trabalho, amigas, o carro a perder combustível, aflição, preocupação ou apego com o material, prisão, museus, comboios, lembranças do passado, sonhos dentro dos sonhos, tanta coisa junta que forma um grande e enorme disparate. Acordei às quatro da manhã e sinto que estive s sonhar desde essa altura até o despertador tocar. Parece que voltei ao velho bom hábito de acordar a sonhar, mas esta semana pelo menos não tenho sentido quebras de energia. O dia até correu bem, pacífico, mas sempre com muita coisa para fazer, assim como quando chego em casa. Acabei por sentir isso quando aproveitei a oportunidade para falar com o Paulo, já não falávamos há uns tempinhos. Ele também não perdeu a oportunidade para perguntar sobre a Marta, já que a mãe dele a tinha visto quando ela esteve cá no domingo - era para a apresentar mas foi tão inesperado e eu estava tão nervoso que acabei por deixar escapar a oportunidade. De qualquer forma, foi bom ter sido o Paulo a puxar o assunto porque é uma daquelas coisas que não tenho jeito nenhum para falar sem soar que me estou a vangloriar - a dificuldade que eu tenho de falar das coisas boas que me acontecem ou das minhas qualidades por achar que estou a ser convencido.
O Paulo acompanhou muitos dos meus desaires. Com a Susana foi um apoio compreensivo e ele na altura também estava a passar por algo parecido. Com a Catarina, foi um enorme apoio também e ajudou-me a suportar momentos difíceis embora nessa altura ou melhor nessas alturas tenha sentido um pouco de vergonha por todas as recaídas que tivemos. Com a Catarina senti isso com muita gente e daí as coisas com a Marta agora serem refrescantes. Antes tinha vergonha de contar que estava numa espécie de relação, agora estou completamente tranquilo por estar numa relação, a verdadeira que sinto que alguma vez tive. Com a Ana... acho que ele foi uma espécie de contacto com a realidade que eu próprio tinha dentro de mim, todas as dúvidas que me faziam colocar o pé atrás, tudo aquilo que dizia que ela não era uma pessoa para mim. Por tudo isso, acho que ele merecia saber que agora estou bem. Foi exactamente isso que lhe disse, obviamente não explicando as ligações de alma, coisa que também não vou fazer com ninguém. Acho que ninguém além da Catarina poderia compreender - mas nem com ela entrei em pormenor, apenas que a ligação também é forte a esse nível. Acho que nem a minha mãe poderia perceber mas também, desde quando é preciso justificar um sentimento? Ou existe ou não existe e quando existe, é aceitá-lo. Foi bom ouvi-lo a dizer "ainda bem, fico muito feliz por ti, mereces, era altura de teres paz e tranquilidade nesse departamento" e é esse sentimento que a cada pessoa que conto me diz, "mereces".
Mereço realmente, mereço amar assim e principalmente, ser amado. Incondicionalmente. Sem condicionantes, sem problemas (porque todos os problemas provam não o serem realmente) sem nada a não ser isto.
Amor.
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