terça-feira, 29 de abril de 2014

27-04-2014

Este foi um dia especial. Histórico, diria mesmo, correndo o risco de estar a exagerar. A Marta veio almoçar cá a casa, com os meus pais e o meu irmão. Não temos nada a esconder e não fazia mais sentido ela vir ter comigo e eu sair de casa para irmos passear sem que os meus pais soubessem quem ela era. Esta junção de mundos sempre me deixou nervoso, como já estou farto de referir e ter consciência. Não ter poder, não controlar. Basicamente mostra como eu nunca confiei que, eu gostando de toda a gente, as pessoas de quem gosto nunca se poderiam dar bem entre elas. Sempre realcei as diferenças entre os diversos grupos – não exclusivamente as namoradas e a família, mas família e amigos, namoradas e amigos ou até mesmo amigos e amigos. Sempre duvidei que as coisas pudessem correr bem. Sei que isto teve por base eventos que aconteceram quando era criança ou mais jovem, em que amigos depois falaram mal nas costas ou que eu senti que fizeram o mesmo de mim. Não consigo visualizar mais do que um punhado de situações em que isso aconteceu, mas pelos vistos marcaram-me imenso.

Na verdade, este dia, além de revelar que estamos a encarar a relação de forma séria, não que fosse surpresa para mim ou para a Marta ou que o precisássemos de o fazer perante o mundo, também colocou a nu a vontade que tenho, pela primeira vez, de não colocar a perder o quer que seja pelos meus receios. Que embora eles existam, reconheço a sua existência mas não impeço que eles limitem naquilo que é realmente importante. E o nervosismo, tanto por ela, como por mim, o querer controlar todas as reacções, todas as conversas e principalmente o pânico de perceber que não consigo controlar nada além daquilo que sinto. Aquilo que sentia foi mudando, o nervosismo desaparecendo ao longo do almoço e as nossas mãos dadas por baixo da mesa um constante relembrar daquilo que é impossível de ser esquecido. Sei que este tipo de receio não desapareceu depois de hoje mas foi bom conseguir enfrentá-lo.

Depois fomos passear por um dos sítios aqui na região, junto ao rio que gosto de visitar de vez em quando. Cheguei a tomar banho lá quando era adolescente, mas a poluição tem-me tirado a coragem para repetir. De qualquer forma, foi uma tarde tranquila. É o que sinto sempre que estou com ela. Aliás, mesmo quando estou longe dela, o facto de a ter na minha vida traz-me uma tranquilidade adicional, desconhecida para mim até agora. Depois, a Marta também tem pequenos gestos para comigo que também reforçam essa tranquilidade. Ela emprestou-me um diário que escreveu durante os 21 dias que fez após a iniciação de reiki que teve. O gesto, sabendo que ela não o tinha mostrado a ninguém, diz-me tudo, mas não é inédito. Já tivemos inúmeros gestos de partilha, talvez não significativos como este. Gestos que aconteceram mesmo antes de termos alguma coisa porque antes de termos definido o quer que seja – neste caso, o estado de namorados – já o eramos, já partilhávamos, já confiávamos. Já amávamos.

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