De manhã tinha uma consulta de reiki que acabou por não se realizar mas foi importante eu ter ido porque tive a tomar conhecimento de informações sensíveis para uma consulta que vou ter na próxima segunda-feira. À tarde fui para Lisboa e só quando estacionei e saí do carro é que me apercebi que estava nervoso. Foi algo decidido de forma impulsiva, de uma forma que não é própria da minha pessoa, mas fi-lo tranquilamente. Como tal, todo aquele nervosismo tomou-me de surpresa, mas maior surpresa foi quando a vi, à minha espera, no sítio em que combinámos. A primeira coisa que fizemos foi abraçar-nos por longos momentos. Estrelas nasceram e estrelas morreram enquanto estivemos abraçados. Eu sentia o coração dela a bater fortemente no meu peito e o meu coração a palpitar no peito dela. Quando nos beijámos, o nervosismo era tanto que nem sabíamos como estar mas assim que os nossos lábios se tocaram, foi como se o tempo tivesse perdido todo o significado - e perdeu efectivamente todo o significado. Estivemos os dois a tarde e quase a noite todos juntos e foi tudo como um borrão. Não houve tanta partilha de vivências como houve de sentimentos e de olhares. Os dois sentimos o mesmo, quando estivemos juntos não foi propriamente a primeira que estivemos juntos mas sim um reencontro. Descobrimos que a antecipação e os nervos que tínhamos não era motivados por receios (que tínhamos por sermos humanos e por termos dúvidas se aquilo que estávamos a viver era real) mas principalmente por saudades. Dois amantes que não estavam juntos há mais de uma vida e que agora finalmente se reencontraram para viver em plenitude a felicidade que há tanto tempo merecem. Nenhum de nós sentiu algo assim antes, nenhum de nós sabia que afinal... amar era isto. Afinal era isto que se chamava de estar apaixonado. De uma forma tão simples, de uma forma tão livre, verdadeira e acima de tudo tranquila. Sempre julguei que estar apaixonado era estar com o sangue a ferver, fazer loucuras, provocar loucuras, sentir que o mundo está nas nossas mãos mas não. Ser apaixonado é ser-se livre para se ser nós próprios, sem medos, sem julgamentos, sem pensar, sem nada. Ser apaixonado é depender do que se é para se ter o que se quer. É largar tudo e mesmo assim ter tudo. Ser apaixonado é perder-se nos olhos da outra pessoa que está à nossa frente a perder-se nos olhos. É pensar em fazer uma pergunta e a outra pessoa responder. É estar num sítio cheio de pessoas a andar de um lado para o outro e todas começarem a parar, a tornarem-se a preto e branco enquanto apenas dois seres ficam a cores, a admirar o profundo amor que nutrem um pelo outro.
Ser apaixonado é simplesmente algo que não se consegue explicar porque a emoção é tão avassaladora que obriga a que se tenha apenas energias e atenção para o viver.
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