É sempre bom levantar-me de manhã, chegar ao computador e a primeira pessoa com quem falo ser a Marta. Sei que a distância física que nos separa é curta, pelo menos comparando com outras relações que tive no passado, mas sinto-a sempre perto de mim e este é apenas mais um pequeno exemplo. Ser a primeira pessoa com quem falo todos os dias e das últimas a quem me despeço antes de ir para a cama. Faz com que me sinta acompanhado, apesar de não estar. Fisicamente, claro. E nas manhãs em que ela me conta as ligações que teve, ainda mais especiais me são. Uma lembrança para que eu não me esqueça da ligação que temos. Acho que seria difícil eu esquecer-me isso mas por vezes a minha distracção prega-me partidas. O que vale é que sempre a vejo é como se tivesse a minha atenção toda focada naquele sorriso lindo e aquele olhar intenso que me percorrem como se eu fosse a oitava maravilha do mundo. Uma sensação perigosamente boa. Perigosamente e viciantemente boa.
A ligação do nosso encontro foi linda como sempre. Desta vez estávamos sentados, agarradinhos um ao outro, de rostos colados, num baloiço que estava preso a uma enorme e verde árvore. Balouçávamos e trocávamos carinhos. A minha alma deve gostar mais de baloiços que eu. Provavelmente apenas não tem os medos que eu tenho. provavelmente não, de certeza. De qualquer forma, por baixo dos nossos pés estavam muitos trevos. Era tudo muito verde. Ela acha que estávamos vestidos de preto, ambos. Foi quando ela reparou que era de noite e nessa altura, surgiram pirilampos à nossa volta. Saímos do baloiço e começámos a caminhar até ao lago. Nessa altura, já estavamos vestidos de branco. Os nossos pés e o caminho emanava luz. Era um caminho de madeiras, como que mosaicos da praia. Entretanto ela adormeceu. Há muita simbolismo nesta ligação. Os trevos representam obstáculos que nós dois tivemos que ultrapassar para chegar a este momento. As luzes nos pés e no caminho indica que tanto nós como o nosso caminho estão iluminados. Os pirilampos significam iluminação e força da vida. O termos mudado de preto para branco, pressupõe também uma transformação. O preto é a cor da da protecção, o passar para a cor branca, talvez seja uma altura em que não precisemos de protecção, em que estaremos num estado de pureza mais elevado. Pureza no sentido de mais próximos da nossa essência.
Depois de adormecer, durante a noite, acabou pro ter um sonho comigo onde estávamos os dois a ver filmes, sentados num sofá. Eu sempre tive uma enorme vontade de partilhar filmes com as pessoas que amava. A última pessoa com quem fiz isso foi a Catarina. É engraçado como com a Marta não tenho essa urgência. Acho que de alguma forma, já partilho tanto com ela que partilhar as músicas ou filmes que amo parecem coisas triviais e banais. Tudo mudou e eu ainda não me apercebi bem o quão isso aconteceu.
Se a Marta me dá muita energia, ultimamente, seja por me deitar tarde ou porque dormir mal, com sonhos que depois não me recordo, tenho andado esgotado de energia e digo sempre de manhã - "logo vou deitar-me mais cedo." Logo parece que nunca mais chega. E ainda não é hoje.
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