domingo, 20 de abril de 2014

19-04-2014

Hoje foi dia de meditação. Arcanjo Rafael, portador da cura divina, o arcanjo que zela e acompanha por aqueles que têm uma missão de cura, portanto é um daqueles que vai andar sempre comigo e que provavelmente já anda há já algum tempo. É também o arcanjo que protege e fomenta a criatividade, o que também me faz todo o sentido. Durante a meditação ficou claro uma das minhas grandes limitações. Não que eu não tivesse noção que ela existia mas... foi mais um tomar de consciência, um verdadeiro tomar de consciência. Quando era criança lembro-me de ficar frustrado quando não tinha nada para fazer. O ter alguma coisa para fazer sempre foi importante para mim e durante uma fase da minha vida, foi a única coisa que me prendia à vida. Ter objectivos, ter tarefas, gigantescas na maior parte das vezes para assegurar que tinha algo que mantinha preso a elas. Foi algo que me foi útil, talvez um pouco básica essa táctica mas resultou e teve o seu efeito desejado. A questão é que agora ela não me é tão necessária como era antes e eu, tal como qualquer ser humano (talvez mais ainda), sou um animal de hábitos e de apego a esses hábitos. Estou viciado em fazer muita coisa ao mesmo tempo, em aproveitar o tempo para fazer as coisas. Lembro-me de pensar e sentir que as funções básicas eram perda de tempo, comer, dormir, ir à casa de banho, tomar banho. O que não podia fazer à pressa, aproveitava para fazer outras coisas, como pensar nos problemas em mão e nunca concentrar-me e viver o momento. Isso criou um hábito em mim de separação para com muita coisa que faço. Automaticamente a minha mente dispersa para outras coisas enquanto o corpo trabalha por si só. Até em conversas com as pessoas, muitas vezes, contra a minha vontade, a minha mente desliga e levanta vôo enquanto uma pessoa que me considera ter valor o suficiente para falar comigo está a falar para uma concha vazia. E raramente isso se nota ou quase nunca. Com o passar do tempo foi algo que me fez sentir culpado mas apenas com as terapias isso começou a mudar. Foram as terapias que me obrigaram a ficar mais presentar, a estar concentrado, embora é sempre uma luta titânica para manter a mente focada. 

Concentração com o momento presente, foi a grande dádiva desta meditação. Não que eu já o consiga fazer, mas a percepção de que preciso de o fazer. No entanto, não o posso fazer através da pressão, através da luta, porque a reacção do outro lado será igualmente forte, será de resistência. Tenho que libertar-me da opressão com liberdade. Tenho que conquistar a liberdade não lutando por ela, mas deixando-a vir até mim calmamente. Apenas tenho que estar aberto a ela. Aberto a um momento em que estou totalmente focado numa única coisa. E este é dos maiores desafios que posso ter.

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