Não é mentira, estou mesmo doente. Por mais que me custe a admitir. Passei o Inverno todo orgulhoso por não me ter constipado, chega à Primavera, toma lá uma gripe em cima. Odeio dores de garganta. Comecei logo a tomar uns remédios caseiros que fui aprendendo, uns no curso outros através de amigos ou amigas minhas. Felizmente as dores de garganta já passaram mas agora é a maldita tosse. É engraçado como eu por vezes passo por cimo de coisas, não lhes dando importância até elas me obrigarem a dar importância. É certo que nestes últimos dias tenho andado entusiasmado com as ligações que a Marta tem feito com a minha alma e com aquilo que eu, algo inexplicavelmente, tenho sentido. Tudo o resto fica para trás e nem dei importância a estar doente. Outra coisa que acho estar relacionada é o facto de ter começado há uns dias a fazer uma oração de limpeza do Arcanjo Miguel. Algo que incorporei na minha rotina diária de dar energia à minha caixa de Reiki - tive muito tempo sem o fazer mas retomei com esta rotina, de manhã, para que não me esqueça. Quanto à oração, a mesma é para retirar tudo da minha energia e de mim, o que não me sirva. Faz-me todo o sentido que tenha tido esta constipação ou gripe, para fazer uma purga física de muita coisa não física.
A Marta contou-me que foi ter comigo mais uma vez, eu já estava à espera dela. Quando ela chegou, dei-lhe uma for e atrás de nós estava uma luz cor de laranja. Ela não sabe se era o sol ou o pôr de sol como da última vez. Depois eu levei-a um terreno inclinado que estava coberto de relva e dei-lhe as mãos, ficámos a rodopiar como duas crianças, como num anime. Cansados deitamo-nos no chão, ela de barriga para o ar e eu de lado, junto a ela, apenas com o cotovelo apoiado - algo que eu considero tão típico meu. E assim ficámos a olhar um para o outro sem falar e ao mesmo tempo, fazia-lhe carinhos no seu rosto com a ponta dos dedos (também muito típico meu). E foi assim. Ela diz que foi a noite toda assim, acordou várias vezes, voltava a adormecer e lá estava eu a olhar para ela, a dar-lhe carinhos. Nenhum de nós falava, apenas olhávamos um para o outro, em admiração mútua.
Jurei a mim mesmo que nunca mais faria algo assim, pelo o que passei pela Susana e por todas as outras em que movido pelas minhas carências mergulhei de cabeça para um sítio onde acabei por bater com a cabeça no chão. E eu não quero fazer isto agora, estou a tentar resistir. A verdade é que eu já estou no rio e estou a resistir à corrente mas ela é mais forte que eu. Ela é mais forte que tudo aquilo que eu alguma vez experiencie e senti. Vou admitir a minha pequenez perante algo tão grande e vou deixar-me ir.
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