domingo, 13 de abril de 2014

11-04-2013

O meu pai faz hoje anos. Com tantos afazeres no trabalho, que cada vez me dão mais gozo - um surpresa para mim, sinceramente - só consegui tirar um tempinho para falar com ele à tarde, para lhe desejar um bom dia de aniversário. Devo estar realmente a mudar, só pode ser essa a explicação para isto. Estar cada vez mais embrenhado com um trabalho que não é uma paixão, que eu sei que vai ser temporário, que é uma questão de tempo até sair de lá, não é nada próprio de mim. Na altura em que eu deveria estar mais desmotivado e desligado, é quando há uma maior entrega - talvez desde sempre que lá estou - para com as tarefas que tenho a fazer. Correcção. Eu já mudei. Estou a atravessar um processo contínuo de mudança e é bom sentir-me assim, pela primeira vez desde que me lembro. Sentir-me bem não porque comprei uma série de cds ou porque comprei um carro, ou porque estou num concerto ou porque tenho uma namorada. A paz que é ter isto dentro de mim e não saber de onde vem nem perder muito tempo a analisar. Aproveitar e desfrutar.

Inicialmente custou-me ir fazer uma reportagem no dia do aniversário do meu pai. Cheguei a desejar que tal não acontecesse, que a permissão me fosse negada, à espera que o Universo atendesse ao meu pedido, tendo pena ao mesmo tempo porque queria realmente fazer esta reportagem. Por vezes, estou convencido disso pelo menos, o Universo vai mesmo directo ao que queremos e não ao que dizemos querer. Os meus pais ganharam entradas grátis num concurso para uma peça de teatro e toneladas de peso saíram de cima de mim. E o concerto foi brutal. Apesar de todo o cansaço que senti, cansaço acumulado por dormir pouco durante a semana e por basicamente não parar quieto, valeu bem a pena. Ver uma sala cheia em perfeita comunhão com a banda em palco é apenas a confirmação que a música é, das formas de comunicação que existem, a que mais mexe comigo. Mais uma vez grato e abençoado por continuar a presenciar momentos assim. 

E parece que as bençãos puxam outras bençãos. Lancei o desafio à Marta de estarmos juntos amanhã, para nos conhecermos. Não tive como recusar. Ela deixou-me uma mensagem no facebook a contar mais uma ligação que teve comigo ontem e que não me contou porque não tínhamos falado. Quando chegou ao pé de mim, eu queria levá-la para o meu sítio secreto mas ela disse que era o momento dela me levar ao sítio preferido dela, uma praia onde ela só leva quem ela quer e onde estão também alguns mestres e guias dela quando faz reiki. Fiquei contente mas surpreendido por tal gesto. Quando chegámos, sentamo-nos na areia de frente um para o outro, de pernas dobradas, joelhos encostados e demos as mãos. Ela vestida de branco e eu de preto - imagem de Ying e Yang. Nesse momento, tirou do bolso um fio com uma concha de vieira e deu-me. Eu coloquei a concha na palma da mão, a parte de dentro voltada para fora e dela saíram todas as cores do arco-íris. Depois foi a minha vez de a surpreender. Dei-lhe um fio igualzinho, o que pode ser um pequeno sinal da sintonia que temos.

A sintonia está provada pelo o que aconteceu ainda há pouco. Enquanto estava no concerto, mandei-lhe uma sms a dizer que gostava e que estava a pensar nela e pelo o que ela me explicou no face por mensagem foi algo que mostrou a sintonia perfeita que estamos a viver e foi essa razão que motivou a ir ao face, mesmo sabendo que não estava lá. Ela estava a adormecer, triste por não falar comigo já há algum tempo e pensou para com ela próprio que não tinha motivos para estar triste quando podia simplesmente ir ter com a minha alma. E assim foi. Apagou a luz do quarto e logo surgiu a minha imagem e disse "anda!". Ela estava renitente em ir porque sentia-se triste. Então disse "Eu..." e nisto, neste exacto momento recebe a minha mensagem a dizer que gostava muito dela. Parecia que a minha alma estava em sintonia não só com ela mas também comigo próprio. Ela achou que foi um momento especial, mágico e eu sou da mesma opinião. Depois de responder à minha mensagem, voltou a ir ter comigo, ao plano astral, demos as mãos e lá fomos nós para o meu sítio secreto, que para mim já o vejo como o nosso sítio secreto. Atrás de nós perseguiam-nos muitas borboletas de asas brancas e amarelas. Estava um dia de muito calor, os dois estávamos vestidos de branco, ela com um vestido comprido até aos pés e eu numa espécie de quimono japonês. Depois levanto-me até uma fonte/cascata pequena e dei-lhe água com as minhas mãos. Sentamo-nos numas pedras com os pés enfiados na água do lago e começámos a atirar água um ao outro com os pés e com as mãos e desatámos a rir. Nisto parámos e ficámos a olhar um para o outro, ela fez-me carinhos no rosto e eu no dela. Demos novamente as mãos e entramos na água do lago. As nossas roupas ficaram molhadas mas não ligámos. Eu coloquei-a a flutuar na água e ia deitando pétalas de rosas brancas e rosas por cima de dela. À sua volta, sobre a água do lago, estavam muitas pétalas, parecia um lago de pétalas. Depois peguei nela ao colo, que me fez um carinho no rosto, e acabou por adormecer, não se lembrando de mais nada.

Terminou dizendo que tem muitas vezes vontade de estar ao pé de mim, fisicamente, que é estranha a sensação enorme de saudades que tem minhas embora não tenha estado comigo antes, fisicamente, nesta vida pelo menos. Está decidido. Amanhã vou estar com ela.

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