O meu pai faz hoje anos. Com tantos afazeres no trabalho, que cada vez me dão mais gozo - um surpresa para mim, sinceramente - só consegui tirar um tempinho para falar com ele à tarde, para lhe desejar um bom dia de aniversário. Devo estar realmente a mudar, só pode ser essa a explicação para isto. Estar cada vez mais embrenhado com um trabalho que não é uma paixão, que eu sei que vai ser temporário, que é uma questão de tempo até sair de lá, não é nada próprio de mim. Na altura em que eu deveria estar mais desmotivado e desligado, é quando há uma maior entrega - talvez desde sempre que lá estou - para com as tarefas que tenho a fazer. Correcção. Eu já mudei. Estou a atravessar um processo contínuo de mudança e é bom sentir-me assim, pela primeira vez desde que me lembro. Sentir-me bem não porque comprei uma série de cds ou porque comprei um carro, ou porque estou num concerto ou porque tenho uma namorada. A paz que é ter isto dentro de mim e não saber de onde vem nem perder muito tempo a analisar. Aproveitar e desfrutar.
Inicialmente custou-me ir fazer uma reportagem no dia do aniversário do meu pai. Cheguei a desejar que tal não acontecesse, que a permissão me fosse negada, à espera que o Universo atendesse ao meu pedido, tendo pena ao mesmo tempo porque queria realmente fazer esta reportagem. Por vezes, estou convencido disso pelo menos, o Universo vai mesmo directo ao que queremos e não ao que dizemos querer. Os meus pais ganharam entradas grátis num concurso para uma peça de teatro e toneladas de peso saíram de cima de mim. E o concerto foi brutal. Apesar de todo o cansaço que senti, cansaço acumulado por dormir pouco durante a semana e por basicamente não parar quieto, valeu bem a pena. Ver uma sala cheia em perfeita comunhão com a banda em palco é apenas a confirmação que a música é, das formas de comunicação que existem, a que mais mexe comigo. Mais uma vez grato e abençoado por continuar a presenciar momentos assim.
E parece que as bençãos puxam outras bençãos. Lancei o desafio à Marta de estarmos juntos amanhã, para nos conhecermos. Não tive como recusar. Ela deixou-me uma mensagem no facebook a contar mais uma ligação que teve comigo ontem e que não me contou porque não tínhamos falado. Quando chegou ao pé de mim, eu queria levá-la para o meu sítio secreto mas ela disse que era o momento dela me levar ao sítio preferido dela, uma praia onde ela só leva quem ela quer e onde estão também alguns mestres e guias dela quando faz reiki. Fiquei contente mas surpreendido por tal gesto. Quando chegámos, sentamo-nos na areia de frente um para o outro, de pernas dobradas, joelhos encostados e demos as mãos. Ela vestida de branco e eu de preto - imagem de Ying e Yang. Nesse momento, tirou do bolso um fio com uma concha de vieira e deu-me. Eu coloquei a concha na palma da mão, a parte de dentro voltada para fora e dela saíram todas as cores do arco-íris. Depois foi a minha vez de a surpreender. Dei-lhe um fio igualzinho, o que pode ser um pequeno sinal da sintonia que temos.
A sintonia está provada pelo o que aconteceu ainda há pouco. Enquanto estava no concerto, mandei-lhe uma sms a dizer que gostava e que estava a pensar nela e pelo o que ela me explicou no face por mensagem foi algo que mostrou a sintonia perfeita que estamos a viver e foi essa razão que motivou a ir ao face, mesmo sabendo que não estava lá. Ela estava a adormecer, triste por não falar comigo já há algum tempo e pensou para com ela próprio que não tinha motivos para estar triste quando podia simplesmente ir ter com a minha alma. E assim foi. Apagou a luz do quarto e logo surgiu a minha imagem e disse "anda!". Ela estava renitente em ir porque sentia-se triste. Então disse "Eu..." e nisto, neste exacto momento recebe a minha mensagem a dizer que gostava muito dela. Parecia que a minha alma estava em sintonia não só com ela mas também comigo próprio. Ela achou que foi um momento especial, mágico e eu sou da mesma opinião. Depois de responder à minha mensagem, voltou a ir ter comigo, ao plano astral, demos as mãos e lá fomos nós para o meu sítio secreto, que para mim já o vejo como o nosso sítio secreto. Atrás de nós perseguiam-nos muitas borboletas de asas brancas e amarelas. Estava um dia de muito calor, os dois estávamos vestidos de branco, ela com um vestido comprido até aos pés e eu numa espécie de quimono japonês. Depois levanto-me até uma fonte/cascata pequena e dei-lhe água com as minhas mãos. Sentamo-nos numas pedras com os pés enfiados na água do lago e começámos a atirar água um ao outro com os pés e com as mãos e desatámos a rir. Nisto parámos e ficámos a olhar um para o outro, ela fez-me carinhos no rosto e eu no dela. Demos novamente as mãos e entramos na água do lago. As nossas roupas ficaram molhadas mas não ligámos. Eu coloquei-a a flutuar na água e ia deitando pétalas de rosas brancas e rosas por cima de dela. À sua volta, sobre a água do lago, estavam muitas pétalas, parecia um lago de pétalas. Depois peguei nela ao colo, que me fez um carinho no rosto, e acabou por adormecer, não se lembrando de mais nada.
Terminou dizendo que tem muitas vezes vontade de estar ao pé de mim, fisicamente, que é estranha a sensação enorme de saudades que tem minhas embora não tenha estado comigo antes, fisicamente, nesta vida pelo menos. Está decidido. Amanhã vou estar com ela.
Terminou dizendo que tem muitas vezes vontade de estar ao pé de mim, fisicamente, que é estranha a sensação enorme de saudades que tem minhas embora não tenha estado comigo antes, fisicamente, nesta vida pelo menos. Está decidido. Amanhã vou estar com ela.
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